Rio - O Botafogo pôs fim neste domingo a um jejum de nove anos sem título e faturou a Taça Guanabara em uma final eletrizante contra o América. A vitória de 3 a 1 dá ao Alvinegro a quarta conquista da Taça Guanabara (ganhou também em 1967, 1968 e 1997). Os gols da vitória foram marcados por Scheidt, Dodô e Zé Roberto. Robert descontou.
O jogo teve dois tempos distintos. No primeiro, o América dominou e fez 1 a 0. No entanto, na segunda etapa o Botafogo voltou com tudo e conseguiu a virada assim como aconteceu na semifinal contra o Americano. Dona de três quartos do Maracanã, a torcida alvinegra fez a festa e comemorou a vaga garantida na final do Campeonato Carioca. Caso vença a Taça Rio (segundo turno), o Botafogo será o Campeão Estadual de 2006.
O jogo
O Botafogo começou melhor e nos dez primeiros minutos chegou bem até a intermediária americana, mas pecou no último passe. Já o América assumia a postura mais defensiva, de olho nos contra-ataques.
América abre o placar
Até os 15 minutos, nenhum chute a gol havia sido dado. No entanto, aos 16, o América fez jus ao trecho do hino "Unidos Vencerás" e saiu para o ataque em bloco, conseguindo abrir o placar. Após cruzamento, a bola bateu em Diguinho e sobrou na entrada da área pela esquerda para Maciel. O lateral arriscou chute cruzado e o goleiro Max falhou, espalmando nos pés de Robert que, livre, só teve o trabalho de empurrar para o gol e fazer 1 a 0.
Aos gritos de "Sangue", equipe rubra passa a tomar conta do jogo
O gol americano calou a torcida alvinegra. Os gritos de "Sangue" eram ouvidos por todo o estádio. Aos 21 minutos, o "Sangue" deu lugar ao coro de "Edílson", uma alusão ao juiz que confessou manipulação de resultados no último Campeonato Brasileiro. Isto porque a torcida do América reclamou de um pênalti em Chrys não marcado pelo árbitro William de Souza Nery.
O América passou a tomar conta do jogo e o Botafogo dava claros sinais que sentiu o gol. Aos 22 minutos, Chrys e Asprilla se chocaram cabeça com cabeça e o artilheiro americano sofreu um corte. Sangrando, o jogador teve a cabeça enfaixada para poder voltar a campo. À essa altura, o América controlava a partida para delírio da torcida rubra. Aos 25 minutos, Guerra foi derrubado na entrada da área. Ótima oportunidade para Robert, mas Ruy cortou o cruzamento.
Alvinegros perdem a cabeça
Por volta dos 30 minutos, a chuva começou a cair com mais intensidade no Maracanã. Mas nem a água foi suficiente para esfriar a cabeça de Ruy. O lateral fez falta dura em Julinho e ainda chutou a bola em cima do jogador americano. Pela atitude, Ruy tomou o primeiro cartão amarelo do jogo. Um minuto depois, Lúcio Flávio chegou atrasado em jogada com Santiago e acabou acertando o peito do adversário, mas o árbitro não puniu o meia alvinegro. Aos 35 foi a vez de Marcelinho transbordar nervosismo ao dar uma rasteira em Bruno Lazaroni. O atacante botafoguense foi advertido com cartão amarelo.
Primeiro chute alvinegro só aos 33 minutos
O chute de Diguinho, aos 33 minutos, foi o primeiro do Botafogo no jogo, o que mostrou a ineficiência do ataque alvinegro. No outro lado, o América começava a jogar bonito. Aos 42, Julinho tabelou com Robert e deu um belo voleio que quase surpreendeu o inseguro goleiro Max.
Ameaças no final, mas primeiro tempo encerrado com baile rubro
Tropeçando em campo, o Botafogo conseguiu pelo menos ameaçar aos 45, quando Marcelinho foi ao fundo e cruzou, mas ninguém chegou para concluir. Dois minutos depois, Ruy lançou na área, a bola fez uma curva e quase surpreendeu o goleiro Éverton, que espalmou para escanteio. Mas o primeiro tempo de ótimo futebol do América se encerrava.
Para Ruy, gol do América desequilibrou o Botafogo
Na saída para o intervalo, o lateral do Botafogo, Ruy, revelou o que causou a pane do time na primeira etapa. "Tomamos o gol e depois disso a equipe ficou desequilibrada", considerou. Já o atacante do América, Chrys, se mostrou consciente de que havia ainda muito a fazer. "Nosso time está bem postado, mas ainda faltam 45 minutos e temos que ficar atentos", afirmou.
Goleiro reserva do América é expulso
Na volta para o intervalo, o América sofreu a primeira baixa. Por ofensas morais ao árbitro William Marcelo de Souza Nery, o goleiro reserva, Fábio Noronha, foi expulso. Caso o titular Éverton se machucasse ou fosse expulso no decorrer do jogo, o técnico Jorginho teria que improvisar um atleta de linha no gol.
Técnico do Botafogo mexe no ataque
O Botafogo voltou para o segundo tempo com uma alteração. Marcelinho saiu para a entrada de Reinaldo. A equipe alvinegra voltou mais organizada. Aos 3 minutos, Lúcio Flávio arriscou chute de longe em cobrança de falta, mas Éverton estava bem posicionado. Um minuto depois, Dodô foi derrubado na entrada da área. Em nova cobrança, Ruy isolou.
Ruy sente lesão, mas continua em campo
Aos 7 minutos, Ruy disputou jogada com Bruno Lazaroni e levou a pior. Sentindo o tornozelo esquerdo, o "Cabeção" deixou o gramado de maca, foi atendido e, mancando, voltou ao campo dois minutos depois.
Goleiro do América falha e Botafogo empata com Scheidt
O Botafogo cresceu no jogo e passou a sufocar o América. E, para delírio da maioria do Maracanã, o gol de empate saiu aos 12 minutos. Lúcio Flávio cobrou escanteio da direita, o goleiro Éverton falhou e Scheidt cabeceou firme para deixar tudo igual. 1 a 1. Foi o gol de presente de aniversário do zagueiro, que na sexta-feira completou 30 anos.
Botafogo passa a tomar conta do jogo
O Botafogo tomava conta do jogo e a torcida passou a fazer a sua parte. O hino alvinegro era a trilha sonora principal e animou o time. Aos 16 minutos, Reinaldo recebeu na entrada da área, se livrou da marcação e chutou cruzado, rente à trave de Éverton arrancando o "uh" da galera. Aos 20 minutos, mais uma vez Reinaldo levou perigo ao gol do América. O atacante chutou de longe, mas a bola saiu pela linha de fundo.
Fogão consegue a virada
Após tanta pressão, o Botafogo conseguiu a virada aos 21 minutos, quando a zaga americana bobeou e Scheidt roubou a bola na entrada da área da equipe rubra. Rapidamente o zagueiro acionou Dodô, que dominou e chutou, a bola ainda desviou na zaga e encobriu o goleiro Éverton. Botafogo vira-vira: 2 a 1.
Dando show de bola, a equipe alvinegra ameaçou mais uma vez aos 23 minutos. Dodô teve a bola do jogo após ser lançado na área pela direita, mas chutou na rede pela linha de fundo levando Reinaldo, que estava sozinho na área, à loucura.
Aos 25, a primeira alteração do América
Insatisfeito com a queda de rendimento do time, o técnico Jorginho promoveu a primeira alteração aos 25 minutos. O volante Argeu deu lugar ao atacante Bruno Silva. E o atacante Bruno levou perigo aos 29, quando recebeu na esquerda e chutou rasteiro, mas Max conseguiu a defesa.
Consciente e determinado, Botafogo amplia o placar: 3 a 1
Mas o Botafogo era o dono do jogo. Aos 31 minutos, Ruy, com muitas dores no tornozelo, deu lugar a Neném. Dois minutos depois, aos 33, Zé Roberto recebeu de Lúcio Flávio na intermediária e, sem marcação, invadiu a área e soltou o pé para fazer o terceiro do Botafogo na decisão. 3 a 1.
Ruy chora
Ruy, que estava caído na beira do campo no momento do terceiro gol, não conteve as lágrimas e foi para o banco de reserva chorando muito de emoção. Já nas arquibancadas a euforia era imensa. Os gritos de "É Campeão" já ecoavam no "maior do mundo".
América muda no time, mas não no placar
Aos 38 minutos, o técnico Jorginho promoveu duas alterações de uma só vez. Robert e Chrys saíram para as entradas de Leandro e Flávio. Bruno Lazaroni ainda foi expulso. Mas o Botafogo não perderia a quarta Taça Guanabara. No final do jogo, os gritos de "Campeão" se juntavam aos de "Olé". Final: 3 a 1 e Botafogo campeão da Taça Guanabara.
Ficha técnica
Botafogo 3 x 1 América
Local: estádio do Maracanã
Data: 12/02/2006
Árbitro: William Marcelo de Souza Nery
Auxiliares: Marcelo Fonseca Duarte e Wágner de Almeida Santos
Renda e público: R$ 580.500,00 para 44.550 pagantes
Botafogo: Max, Ruy (Neném), Scheidt, Asprila e Bill; Thiago Xavier, Diguinho, Zé Roberto e Lucio Flavio; Marcelinho (Reinaldo) e Dodô. Técnico: Carlos Roberto.
América: Éverton, Guerra, Santiago, André e Maciel; Válber, Argeu (Bruno Silva), Bruno Lazaroni e Robert (Leandro); Julinho e Chrys (Flávio). Técnico: Jorginho.
Cartões amarelos: Ruy (BOT), Thiago Xavier (BOT), Marcelinho (BOT), Santiago (AME). Cartões vermelhos: Bruno Lazaroni e Fábio Noronha (AME).