Janir Júnior e Luciano Mello
São Paulo - O fim de campeonato mais emocionante da história da F-1 coroou a trajetória de um jovem acostumado a quebrar barreiras. Adotado pela McLaren quando ainda dava seus primeiros passos no kart, filho de família de classe média inglesa, Lewis Hamilton é o único piloto negro da história da categoria mais importante do automobilismo. Sua excelente primeira temporada, em 2007, ficou manchada pelos erros nas últimas provas, que lhe custaram o título. Mas, este ano, Hamilton realizou o seu maior sonho, justamente no país de seu ídolo, Ayrton Senna. Aos 23 anos, ele é o mais jovem campeão da F-1.
Hamilton confessou ontem que o fantasma do ano passado o assustou quando foi ultrapassado por Vettel, a duas voltas do fim da corrida em Interlagos. O sofrimento só acabou quando ele deixou para trás Timo Glock e recebeu a bandeirada em quinto lugar.
“Fiquei com o coração apertado. Ao cruzar a linha de chegada, perguntei aos gritos pelo rádio: ‘Vencemos? Vencemos?’. Quando disseram que sim, fiquei extasiado. Mas o alívio só veio na linha de chegada”, contou.
Seu pai também admitiu que pensou no pior: “Na última volta, achei que estivesse tudo acabado”, disse Anthony, que foi cumprimentar Felipe e seu pai, Titônio. “Sei o que estão sentindo. Passei por isso no ano passado”.
O piloto procurou o pai e o irmão, Nicholas, que sofre de paralisia cerebral, assim que deixou o carro. “Ainda não caiu a ficha, é incrível. Dedico o título à minha família e à minha equipe. Também quero dar os parabéns ao Felipe, pois ele foi fantástico”, disse o primeiro inglês a conquistar o título da F-1 desde Damon Hill, em 1996.
“As primeiras palavras que eu disse a ele foram ‘Eu te amo’. Ele é um ótimo menino”, revelou o pai. Já a namorada do inglês, a cantora Nicole Scherzinger, do grupo Pussycat Dolls, não recebeu muita atenção depois da prova.
Ontem, Hamilton recebeu o cumprimento de seu maior inimigo na F-1, o espanhol Fernando Alonso, que deixou a McLaren no fim de 2007 por não aturar mais o inglês.
Uma hora depois da bandeirada, Alonso perguntou pelo ex-colega para o piloto de testes da McLaren, Pedro de la Rosa, também espanhol. De la Rosa disse que Hamilton estava nos boxes da equipe, e chamou Alonso para entrar no local. Mesmo sem graça, o bicampeão mundial cedeu ao pedido do compatriota e visitou sua antiga área de trabalho, para dar os parabéns ao inglês.
Os integrantes da McLaren festejaram muito o título. Os mais provocadores chegaram a abrir uma garrafa de champanhe em frente aos boxes da Ferrari e posaram para a foto oficial ao som da música ‘We are the champions’ (‘Nós somos os campeões’), do grupo Queen.