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21/6/2008 20:29:00

Kaká: 'Eu sempre vou lutar pelo Brasil'

Ana Carla Gomes


Rio - A chegada do herdeiro foi cercada de mimos, a ponto de ele ter feito um curso especial sobre como cuidar de um bebê. Nada, porém, que evitasse a agitação no primeiro dia em casa com o filho, Luca, nascido no dia 10, em São Paulo. Ao lado da mulher, Caroline Celico, Kaká brincou tanto com o menino que Luca não conseguiu dormir direito durante a madrugada. Hoje, ele garante que os dias têm sido mais tranqüilos e se imagina como um pai amigo.

A mesma tranqüilidade ele espera ter na Seleção, depois de muita polêmica envolvendo a recusa do Milan em liberá-lo para os Jogos de Pequim e o episódio do seu corte dos recentes jogos das Eliminatórias. Em entrevista por e-mail, o meia diz que operou na hora certa, garante que a relação com o técnico Dunga não está abalada e que o grupo é unido, apesar de ter afirmado que há sempre intrigas. E o meia enfatiza que está à disposição: “Eu amo a Seleção. Sempre que puder, vou lutar pelo Brasil”.

— Como está a recuperação da artroscopia feita no joelho esquerdo?

— Venho me recuperando bem, mas não estou treinando com bola ainda. Espero poder jogar quando tiver que me reapresentar no Milan.

— A relação entre o Milan e a CBF parece ter ficado desgastada, depois da decisão do clube em não liberá-lo para Pequim e do episódio da sua operação. Você acredita que isso tenha abalado sua relação com Dunga?

— Não, sempre tive um bom relacionamento com o ‘professor’ Dunga, todas as vezes em que foi preciso, tivemos boas conversas. Não fiquei magoado com o meu corte, pois eles achavam que era um risco que não gostariam de correr no momento.

— Você ainda crê que o Milan o libere para Pequim?

— A primeira resposta do Milan foi não. Até agosto, muita coisa pode acontecer.

— Jorginho, auxiliar da Seleção, chegou a dizer que você poderia ter passado pela cirurgia antes. Acredita que operou no momento certo?

— Quando cheguei ao Brasil, entrei em contato com a comissão técnica da seleção brasileira e expliquei o meu caso. Eles, então, pediram que eu falasse com o departamento médico da Seleção, que decidiu ser obrigatória naquele exato momento a minha cirurgia, sempre com o conhecimento e a permissão dos dirigentes do Milan.

— Temeu ficar com a imagem de um jogador que não estava disposto a servir à seleção brasileira?

— De forma alguma. O fato da cirurgia era necessário, não era uma opção, como declarou o doutor Runco. Em relação à Olimpíada, expressei minha vontade de ir publicamente, e em conseqüência, fui até à diretoria do Milan e fiz meu pedido oficial. Eles me disseram que o Pato e o Digão seriam liberados, mas eu não, pois eles tinham esse direito perante a Fifa. Eu amo a Seleção. Tenho o maior prazer de fazer parte da única Seleção pentacampeã do mundo. E, sempre que puder, vou lutar pelo Brasil.

— Assistiu aos últimos jogos das Eliminatórias?

— Contra o Paraguai, foi um dia em que as coisas não deram certo. O Brasil não conseguiu demonstrar todo o seu potencial, e acabou tendo um resultado negativo.

— No programa Bem, Amigos!, você revelou que, na Seleção, sempre tem alguém causando intriga. Esse grupo não é unido?

— Declarei isso porque sempre sai na imprensa algumas coisas internas da Seleção que não deviam sair. Coisas de bastidores, conversas de jogadores, que acabam criando situações delicadas. O grupo é muito unido, e como falei, o ambiente na Seleção é ótimo.

— Você foi eleito pela revista ‘Time’ uma das 100 personalidades mais influentes do mundo. O que acha que fez para merecer um lugar na lista? Que tipo de influência tem em seus fãs?

— O merecimento foi através das conquistas que tive, chegando ao topo no prêmio de melhor jogador do mundo. A referência que a revista faz é em relação a falar de Jesus. Creio que a influência que tenho é a de ser um jogador realizado, com valores bíblicos, que podem ser seguidos.

— O Milan foi eliminado nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões e não conseguiu no Italiano a vaga para a próxima edição. Qual o balanço dessa temporada?

— Faço um balanço de uma boa temporada para o Milan, com um final não muito bom. Pois, nessa temporada 2007/08, vencemos a Supercopa Européia e o Mundial de Clubes, no Japão.

— Como melhor do mundo em 2007, qual a expectativa pela premiação deste ano da Fifa? Você acredita que Cristiano Ronaldo seja um dos maiores rivais?

— Tem muita coisa para acontecer até o fim do ano, espero poder estar na premiação, mais uma vez. O Cristiano Ronaldo é um grande rival, sim, por tudo que conquistou na última temporada.

— Como viu a contratação de Felipão, com quem foi campeão do mundo, pelo Chelsea?

— Excelente escolha; é um treinador muito competente, grande líder, motivador e um grande vencedor.

— Você já manifestou o desejo de ser capitão do Milan. Como tem se preparado para assumir esse papel? Você se espelha em algum capitão em especial?

— Liderança é uma coisa natural, que vem com a confiança do grupo. Acredito que hoje sou um dos líderes do Milan, mesmo não sendo o capitão. Para ser capitão no Milan existe uma hierarquia, mas espero que uma hora chegue o meu momento. Os exemplos de capitão são o Paolo Maldini e o Rogério Ceni.

— O Milan conta com uma das maiores revelações do futebol brasileiro, o Pato. Ele já está totalmente adaptado? Como você vê a ascensão dele? Ele costuma te pedir conselhos?

— Pato é um jogador de muito talento, ainda jovem, que vai crescer muito. Está se adaptando à Itália e ao Milan. Ele teve uma ascensão muito rápida, mas isso é fruto do talento e do trabalho que tem feito. Às vezes, ele pede um conselho, uma ajuda.

— Você acabou de ser pai pela primeira vez. Como acompanhou a gravidez da Caroline?

— Acompanhei toda a gravidez, os exames, todas as coisas. E fizemos um curso juntos, para aprender algumas dicas de como se deve cuidar do bebê.

— O Robinho já avisou que você vai passar muitas madrugadas sem dormir. Já está perdendo noites de sono por causa do bebê?

— Os dias têm sido tranqüilos. O primeiro dia em casa foi o mais complicado, mas depois ele se adaptou.

—Espera que o Luca herde o seu talento e seja jogador de futebol também?

— Assim como meus pais fizeram comigo, eu vou ajudá-lo e incentivá-lo naquilo que for a vontade dele, sem forçar nada.

— Que tipo de pai você será para o Luca?

— Quero ser um pai muito amigo, passar os valores da família para ele e ter muita comunhão com o Luca.

— Você declarou uma vez, em entrevista à revista Tudo de Bom!, que gostaria de ter muitos filhos. Ainda existe essa vontade?

— Vamos cuidar do primeiro, depois vemos quais serão as nossas vontades.

— Como você, que é um jogador reservado e gosta de preservar sua vida pessoal, viu o episódio em que o Ronaldo se envolveu no Rio, com três travestis?

— Converso sempre com o Ronaldo, que é um grande amigo, mas não falamos sobre esse episódio.

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