Rio - É com o vocabulário próprio dos pugilistas que o técnico Bernardinho se refere ao atual momento vivido pela Seleção masculina de vôlei. É preciso manter a guarda alta e ter ainda mais atenção, porque os adversários estão cada vez mais empenhados em derrubar o Brasil.
A Rússia não esconde esse desejo e terá a chance de tentar realizá-lo hoje, às 10h, no primeiro jogo da fase final da Liga Mundial, no Maracanãzinho. A rodada terá ainda Sérvia x EUA. O Brasil tenta igualar os oito títulos da Itália no torneio, que conta ainda com Japão e Polônia.
Há seis anos, em Belo Horizonte, então última vez em que a Seleção disputou um título da competição em casa, os russos estragaram a festa.
“Tenho de admitir que é uma motivação jogar contra o Brasil. Trata-se de um grande teste e não será um jogo fácil para nós. Eu não digo que a Rússia é favorita ao título, como afirmaram os treinadores das outras equipes. Só seremos favoritos quando a medalha estiver na nossa mão”, disse o técnico Vladimir Alekno.
Mesmo que nos últimos sete anos a Seleção tenha praticamente uma rotina dourada, os adversários tentam não observá-la dessa forma. Nesse período, o Brasil conquistou o bicampeonato mundial (2002 e 2006), as Copas do Mundo de 2003 e 2007, a Copa dos Campeões de 2005, além de seis títulos da Liga Mundial.
“Eles têm um time com os melhores jogadores, mas não são imbatíveis. Nas quatro partidas que fizemos nessa Liga, todas foram para o quinto set. Rússia e EUA também têm chances de ganhar”, aposta Igor Kolakovic, técnico da Sérvia.
Era esse sentimento que, se pudessem, Bernardinho e seus comandados gostariam de evitar.
“Nos últimos dois ciclos olímpicos o Brasil foi a presa, a referência. Tivemos que amadurecer técnica e emocionalmente. O que a gente busca é o diferencial para se manter um pouco à frente. Somos uma boa equipe, que tem vencido mais do que perdido. Não é conveniente jogar muito contra essas equipes, porque se cria uma intimidade que para nós não é boa. Seria bom que eles acreditassem que é difícil nos bater”, salientou.
Mas, por enquanto, na quadra a resposta tem sido sempre a mesma, tendo o Brasil no alto do pódio. Para evitar qualquer surpresa, os jogadores estão em alerta.
“Agora, chegou a hora que todos nós estávamos esperando. De colocar tudo para fora e pensar na Olimpíada que está logo aí. A cada ano temos que tomar mais cuidado, porque do contrário nos atropelam. A Rússia mudou a parte tática, e isso é perigoso. Eles têm altura fora do normal e com cabeça complicam nossa vida”, disse o ponta Giba.