Vágner Love: “Quero voltar e correr pelo Flamengo”
O ‘Artilheiro do Amor’ já foi convidado pelo presidente Márcio Braga, ficou balançado e garante que vai retornar ao Brasil especialmente para vestir a camisa rubro-negra e fazer gol no Vasco, que o dispensou
Rio - Os brincos de 200 dólares e as trancinhas azuis que custam a metade desse valor enfeitam Vágner Love, mas, para os críticos, nada disso torna mais bonito o ‘patinho feio’ da seleção brasileira. O ‘Artilheiro do Amor’, como já foi conhecido o ex-atacante do Palmeiras, nasceu em Bangu, foi sozinho tentar a vida em São Paulo aos 14 anos, transou na adolescência com uma mulher de 24 e conquistou a fria Rússia.
Mas ainda não marcou o golaço de sua vida: jogar no Flamengo, o time de coração. Enquanto não chega a hora de “pular o muro da Gávea”, Vágner, 23 anos, vai tentando invadir o coração da torcida, a quem Ronaldo acostumou mal. As críticas machucam, mas, em entrevista exclusiva ao ‘Ataque’, o jogador do CSKA promete calar a boca de muita gente. Quem sabe, hoje à noite, contra o Peru, em Lima?
O DIA: É trabalhoso manter essas trancinhas no cabelo? O penteado está dando certo, não é? Quem faz é uma moça de Guiné-Bissau. Ela cobra 2,5 mil rublos (102 dólares) e gasta uns 50 minutos. Troco a cada três semanas. Gosto de azul, e essa cor está me dando muita sorte. O DIA: Além do cuidado com o cabelo, você usa sempre brincos que chamam a atenção. É vaidoso? Sou muito vaidoso. Sou eu que compro minhas coisas. Comprei esse par de brincos na Rússia...
O DIA: Pagou uma fortuna? Tenho dois filhos pra sustentar, né? Não sou de gastar uma fortuna. Gastei neles uns 200 dólares. Gosto também de anéis e colar. O DIA: Apesar das jóias, você vem de Bangu, não é? Nasci e fui criado em Bangu. Saí para São Paulo com 14 anos. Cheguei sozinho e fui me virando... O DIA: Morando com todo o conforto que tem na Rússia, você sente saudades de Bangu? Sinto falta dos bailes funk e dos pagodes. As pessoas, por preconceito, inventam coisas que não existem. Dizem que nos bailes rola briga e que tem puteiro. Mas, com 12 anos, eu já ia aos bailes, com minha mãe.
O DIA: Com 12? Fazia o quê, lá? Eu já era um pouquinho namorador (risos)... Era feinho, mas, quando parava para resenhar, me dava bem. Vem daí o apelido Love. Em 2003, na Copa SP de Juniores, já jogando pelo Palmeiras, levei mulher pra concentração e fui afastado. O pessoal me chamava de “artilheiro do amor”.
O DIA: Com quantos anos perdeu a virgindade? Com 14 anos. Ela era bem mais velha do que eu. Tinha uns 24 ou 25... Fomos pra casa dela (risos)...
O DIA: Qual é o quente do funk? MC Frank, MC Marcinho, MC Sabrina e Sapão. Eu gostava do Clube Pedra Branca, de Senador Camará. Até hoje, não vivo sem isso. Para jogar, tenho que escutar um funk. Do contrário, não sou eu. O pessoal lá na Rússia acha que sou meio doido.
O DIA: Você ainda vai aos bailes de Bangu? Nas férias de dezembro, vou lá para ver os amigos e jogar bola. Mas minha casa é no Recreio. Acabo indo para o Olimpo, na Penha, e para o Riviera, na Barra. O DIA: Você é rubro-negro assumido. Sonha jogar no Flamengo algum dia? Aquela camisa é linda. E o que a torcida do Flamengo está fazendo agora é fora do normal. Tenho muita vontade de vestir aquela camisa e ganhar um título. E não quero voltar para o Brasil velho, não. Quero voltar com disposição para correr pelo Flamengo. O DIA: Sente vontade de fazer gol em cima do Vasco? (Risos) Ainda mais que passei por lá em 1999 e, depois de uns testes, fui dispensado, porque o treinador achou que eu não tinha bola pra jogar no Vasco.
O DIA: Já teve algum convite para jogar no Flamengo? Tive. Após a Copa da Uefa, em 2005, quando fui campeão em Portugal, o Márcio Braga foi ao vestiário, levou uma camisa do Flamengo para mim e me perguntou se eu não queria jogar lá. Aquilo me balançou. Tenho contrato até 2008, vou ficar mais um tempinho fora do Brasil, e acho que a porta do Flamengo está aberta. Se não estiver, vou dar um jeito de pular o muro da Gávea. O DIA: Gosta dos russos? Os russos são um pouco frios, mas a gente tem mudado eles. Além de mim, há muitos brasileiros no CSKA:Daniel Carvalho, Dudu Cearense, Jô, Ramon, Eduardo Ratinho, e, também, o preparador físico Paulo Paixão.
O DIA: Quais foram as dificuldades que o garoto de Bangu sentiu ao chegar à Rússia? A língua e o frio foram as únicas dificuldades que encontrei. Tratam tão bem a gente que, na concentração, os brasileiros ficam em quartos individuais e, os russos, em dupla.
O DIA: Já sofreu preconceito? Comigo, nunca aconteceu. O DIA: Compreende o idioma? Entendo muito pouco. Tive duas aulas, mas acabei desistindo. O clube contratou um tradutor.
O DIA: É difícil substituir o Ronaldo na Seleção? É um desafio, porque ele é um ídolo mundial. Um fenômeno. E todo mundo ficou acostumado com o Fenômeno na Seleção... O DIA: Você se sente, às vezes, o ‘patinho feio’ da Seleção? Eu me sinto. Às vezes, fico muito triste, mas tento manter a tranqüilidade. Sei que tenho potencial para ocupar essa vaga de titular, mas venho sendo muito criticado...
O DIA: Tem fé no seu futebol? Ainda vou calar a boca de muita gente. Ah, vou...