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Pequim - Maurren Higa Maggi encerrou de forma triunfal nesta sexta-feira o jejum de medalhas de ouro do atletismo brasileiro que já durava 24 anos, ao conseguir um grande salto em sua primeira tentativa na final da competição em distância na Olimpíada de Pequim.
De quebra, ela também conquistou o primeiro ouro individual feminino da história das participações olímpicas brasileiras. A última vez que o atletismo havia conquistado um ouro em Olimpíadas havia sido com Joaquim Cruz, nos 800 metros rasos dos Jogos de Los Angeles, em 1984.
"A prova foi emocionante, eu estava dentro dela o tempo inteiro. Eu estava pronta pra saltar na última tentativa e foi muita sorte ela não ter conseguido superar", disse Maurren depois da prova, referindo-se à rival Tatyana Lebedeva. A disputa com a russa, sua principal adversária na noite, foi dramática, apesar de as duas terem feito apenas dois saltos válidos cada uma, já que a primeira queimou quatro tentativas e a brasileira queimou três (não precisou fazer o último salto).
O salto do ouro, de 7,04 metros, foi executado por Maurren na primeira rodada de tentativas. "Foi um salto seguro, bati na tábua com o pé inteiro. Eu estava buscando um salto perfeito para melhorar minha marca", afirmou. "E a partir dali, já joguei pressão pra cima das outras", acrescentou. O primeiro salto de Maurren resistiu durante toda a competição, com seis rodadas de saltos não rendendo marca melhor.
Em sua tentativa derradeira, Lebedeva fez um ótimo salto e o Estádio Nacional ficou em silêncio, no aguardo da divulgação da marca pela organização. Por um centímetro a russa não empatou a disputa. Se isso acontecesse, ela teria a vantagem por até aquele momento ter o segundo melhor salto na comparação com Maurren, o que forçaria a brasileira a buscar uma marca pelo menos acima de 6,97 metros (2o melhor salto da russa) para ficar com o ouro.
Mas não foi necessário. Logo após os placares no estádio mostrarem o salto de 7,03 metros de Lebedeva, Maurren correu para abraçar o técnico Nélio Moura, que já havia visto dias antes um dos seus atletas levar o ouro, o panamenho Irving Saladino. Depois a brasileira deu a volta no estádio levando as bandeiras do Brasil e da China. Lebedeva reconheceu a superioridade da rival na noite. "Olimpíada é diferente de um Mundial ou outra competição. Tem que dar tudo certo para se vencer e hoje deu tudo certo pra ela. Era o dia dela", afirmou.
Com agências
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