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Pequim - A brasileira Maurren Higa Maggi estava feliz nesta sexta-feira depois de se sagrar campeã olímpica do salto em distância nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, sendo a primeira mulher de seu país a conquistar uma medalha de ouro individual nas Olimpíadas, embora até o último salto não acreditasse que fosse conseguir.
"É o dia mais feliz de minha vida", disse Maggi, que conquistou a primeira medalha do atletismo do Brasil em 24 anos, quando Joaquim Cruz venceu a final dos 800 metros em Los Angeles-1984. A brasileira, de 32 anos, ganhou o ouro com um melhor salto de 7,04 metros obtido em sua primeira tentativa, superando Tatyana Lebedeva. A russa emudeceu todo o Estádio Nacional, o famoso Ninho do Pássaro, quando voou em seu último salto para ficar a apenas um centímetro da brasileira.
Com isso, Maggi surpreendeu ao destronar a russa, que havia ficado com o título olímpico em Atenas-2004. Lebedeva já tinha conseguido a medalha de prata no salto triplo em Pequim. A brasileira "teve força e sorte hoje. O ouro olímpico é o maior prêmio que um atleta busca e Maggi merece", afirmou Lebedeva.
Em terceiro lugar ficou a nigeriana Blessing Okagbare, que competia na final no lugar da ucraniana Lyudmila Blonska, excluída por doping, com um salto de 6.91 metros. "Eu não achava que fosse chegar à medalha, não vim (a Pequim) pensando na medalha",
afirmou em uma entrevista coletiva à imprensa a nova campeã olímpica brasileira, que foi premiada por sua persistência e amor ao esporte em sua volta às pistas depois de dois anos de suspensão por doping.
"Quando tive o caso de doping foi uma fatalidade, por causa de uma pomada que coloquei porque... A verdade é que gosto de me maquiar, de ir a salões de beleza, mas conseguiram me tirar das pistas", explicou a nova campeã olímpica. Maggi havia sido suspensa por dois anos, entre 2003 e 2005, depois de ter sido flagrada no exame antidoping por uso de esteróide-anabolizante, o clostebol, que ela alegou não saber que estava em uma pomada que havia passada.
"Depois de dois ou três anos e meio, me dei conta de que o que me preenchia de verdade era o atletismo. Voltei e fui fazendo as coisas passo a passo, mas não pensava que fosse chegar à medalha olímpica", disse a brasileira. Desde os 16 anos, seu treinador é Nélio Muora, o mesmo que treina o também campeão olímpico de salto em distância, o panamenho Irving Saladino.
"Hoje sou um dos homens mais felizes do mundo", disse Moura, depois de ver seus dois pupilos subirem no lugar mais alto do pódio nos Jogos Olímpicos de Pequim. Depois de sua volta às pistas, Maggie ficou em sétimo lugar no Mundial-2007 e
continuou sua carreira até alcançar o olimpo dos atletas nesta sexta-feira.
"Agora vejo que tudo o que aconteceu na minha vida, tudo valeu a pena", afirmou a mãe de uma menina de três anos, Sofia, cuja lembrança a levou às lágrimas. "Tenho muita vontade de vê-la, de dar um grande abraço, gostaria que estivesse aqui comigo", disse a brasileira, cujo triunfo contou com um torcedor especial, Pelé. Maggi agradeceu o apoio do "Rei" com uma reverência com a bandeira do Brasil ao passar em frente a onde estava.
"Fiquei emocionando com a entrega da medalha. Acho que qualquer medalha de ouro merece ser comemorada. Estava manifestando a minha felicidade", contou a atleta, que, na realidade, foi a Pequim "com olhando para Londres-2012". "Já vim pensando em Londres, eu não buscava medalhas, só queria ficar mais forte para continuar minha batalha" e seguir melhorando, revelou.
Com agências
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