História do Brasil nas Olimpíadas

Atenas (Grécia) 2004

A participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Atenas foi marcada por contrastes. O País superou sua melhor marca em Jogos - cinco ouros contra três em Atlanta (96) -, terminando em 16º na classificação geral entre 202 países, mas ficou com a sensação de que poderia ter obtido resultados mais satisfatórios em outros esportes.

A maior delegação brasileira em Jogos, 247 atletas ao todo, voltou com dez medalhas - cinco ouros, duas pratas e três bronzes. O Brasil marcou presença em 26 das 37 modalidades em disputa, mas levou muito ao pé da letra o ideal olímpico de que “o importante é competir”. Eliminações que tendem a virar “honrosas participações” só acentuaram a ausência de investimento nos demais esportes.

Desclassificações à parte, Atenas também reservou feitos históricos para o esporte brasileiro. A surpresa - e grande momento da Olimpíada de Atenas - foi o bronze do maratonista Vanderlei Cardoso de Lima. Depois de liderar a prova por um bom tempo, ele foi empurrado por um ex-padre irlandês, que invadiu a pista durante o percurso, e perdeu a primeira posição, conseguindo ainda chegar em 3º e marcar seu nome como um dos grandes heróis olímpicos.

A ginástica artística teve três representantes em finais individuais: Daiane dos Santos (5º no solo), Daniele Hypólito e Camila Comin (12º e 16º, respectivamente, nos aparelhos). Robert Scheidt, Torben Grael e Marcelo Ferreira, da vela, e Giovane e Maurício, do vôlei, igualaram-se a Adhemar Ferreira da Silva, do salto triplo, como bicampeões olímpicos. Grael tornou-se, também, o brasileiro com maior número de medalhas em Olimpíadas - cinco no total. E a vela virou o esporte brasileiro que mais trouxe vitórias - 14 contra 13 do atletismo e 12 do judô.

Nomes conhecidos confirmaram seu talento - Rodrigo Pessoa foi o primeiro brasileiro a ganhar medalha em uma final individual no hipismo. Ele originalmente obteve a prata, mas o doping do irlandês Cian O'Connor fez com que o ouro viesse tardiamente; o vôlei masculino tornou-se bicampeão. E nomes 'desconhecidos' foram revelados - os quartos colocados Ricardo “Bimba” Winicki, na classe Mistral da vela, e Diogo Silva e Natália Falavigna, no taekwondo. Sem deixar de esquecer os medalhistas de bronze no judô Leandro Guilheiro e Flávio Canto.

Em sua 20ª participação em Olimpíadas, o Brasil completou 76 medalhas (16 ouros, 22 pratas e 38 bronzes). Mas por maiores que sejam os méritos dos esportistas brasileiros, ainda é pouco para um País que está sempre na iminência de “estourar” a cada quatro anos. Caso oposto da China, que despontou em Atenas com 63 medalhas após uma eficiente política de incentivo ao esporte, visando chegar ao topo em Pequim, próxima sede olímpica, em 2008. Um exemplo para o Brasil se mirar e partir em busca de outros pódios.

Sydney ( Austrália) 2000

A delegação brasileira, composta por 205 atletas; 111 homens e 94 mulheres, não levou nenhum ouro, mesmo sendo favorita em esportes como como futebol, vôlei de praia e hipismo.
De qualquer forma, fez a segunda melhor campanha da história (a primeira foi em Atlanta - 1996), conquistando 12 medalhas - seis de prata e seis de bronze.

No judô, o peso leve Tiago Camilo e o médio Carlos Honorato, que não estavam entre os favoritos do tatame, conquistaram medalhas de prata.

No atletismo, a glória. Na final do revezamento 4x100m, a equipe formada por Vicente Lenilson, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino derrotou Cuba, fechando a prova em segundo, atrás apenas dos norte-americanos, favoritos absolutos.

No vôlei de praia, três medalhas. Zé Marco/Ricardo e Adriana Behar/Shelda ficaram com a prata. Adriana Samuel e Sandra Pires levaram o bronze.

No iatismo, Robert Scheidt - ouro em Atlanta - levou a prata na classe Laser. Na classe Star, Torben Grael e Marcelo Ferreira ficaram com o bronze.

O vôlei feminino, comandado pelo técnico Bernardinho, superou a derrota para as cubanas, na semifinal, e conquistou o bronze ao bater os Estados Unidos por 3 sets a 0.

Destaque também para o basquete feminino, que mesmo sem Paula e Hortência, arrancou a medalha de bronze na decisão contra a Coréia do Sul.

Na natação, Fernando Scherer, Gustavo Borges, Carlos Jayme e Edvaldo Valério foram os responsáveis por mais uma medalha de bronze no revezamento 4x100m livre.

Além das medalhas, o Brasil conseguiu outros belos feitos. Daniele Hypólito, com 16 anos, obteve o 20º lugar geral, o melhor resultado da história da ginástica artística brasileira nas Olimpíadas. Sydney marcou também nossa ginástica rítmica desportiva: o Brasil chegou à final em sua primeira participação na competição olímpica por equipe, ficando com a oitava colocação - última entre os finalistas.

O cavaleiro Rodrigo Pessoa, o melhor do mundo, não deu ao hipismo brasileiro a medalha de ouro tida como certa. O inesperado refugo do cavalo Baloubet du Rouet impediu o sonho dourado. Mas o bronze por equipe (Álvaro Miranda Neto, André Johannpeter, Luiz Felipe de Azevedo e Rodrigo Pessoa) e o quarto lugar individual de Johannpeter representaram um grande desempenho.

Atlanta (EUA) 1996

A delegação de atletas do Brasil (225 no total, sendo 159 homens e 66 mulheres) realizou um das melhores campanhas de todos os tempos. Eles trouxeram um total de 15 medalhas, três de ouro, três de prata e nove de bronze; nunca havíamos chegado pelo menos perto dessa marca. Até mesmo esportes onde não depositávamos muita esperança como a equitação, voltaram de Atlanta com medalha.

Até 1992, o Brasil conquistou 39 medalhas, todas elas obtidas por atletas homens. Apenas em Atlanta, as mulheres brasileiras comprovariam seu valor, levando quatro medalhas. A mais importante aconteceu no voleibol de praia, modalidade que estreava em Olimpíadas.

Primeira e segunda colocações no vôlei de praia

Nossas duas duplas, Jacqueline Silva / Sandra Pires e Mônica Rodrigues / Adriana Samuel foram brilhantes. Jacqueline / Sandra chegaram invictas à final, enquanto que Mônica / Adriana perderam justamente para elas, mas alcançaram também a final através da repescagem. Pela primeira vez o Brasil conquistaria o primeiro e o segundo lugar num esporte olímpico. O inédito jogo foi vencido por Jacqueline / Sandra por 12/11 e 12/6, mas as duas duplas mostraram ser as melhores do mundo.

Basquete feminino brilha em Atlanta

Nossas meninas do basquete, atuais campeãs mundiais, também tiveram desempenho sensacional em Atlanta. Na fase de classificação superaram o Canadá por 69 x 56, a Rússia por 82 x 68, o Japão com 100 x 80, a China por 98 x 83 e finalmente a Itália por 75 x 73. Na quartas-de-final, pegamos a quarta colocada do outro grupo, Cuba, e vencemos por 101 x 69. Veio a semifinal e as adversárias foram as perigosas ucranianas, mas jogamos uma partida quase perfeita e ganhamos por 80 x 61.

Na final contra os EUA, as meninas brasileiras ficaram nervosas com a pressão do público e não ofereceram resistência alguma, 87 x 111 e a primeira derrota no torneio. Mas estava de bom tamanho para uma seleção que não teve um treinamento adequado e só pôde contar com suas estrelas Paula e Hortência no final dessa preparação. A seleção: Hortência, Branca, Adriana, Leila, Paula, Janeth, Roseli, Marta, Alessandra, Cintia, Cláudia Pastor e Silvinha. O técnico foi Miguel Ângelo da Luz.

Vôlei feminino perde por pressão psicológica

Para terminar a odisséia das mulheres brasileiras, vamos ao vôlei feminino. O técnico Bernardinho preparou as jogadoras para ganhar a medalha de ouro, treinando até junto com homens para melhorar a defesa. A estréia foi tranqüila, 3 x 0 sobre o Canadá. Os adversários foram vindo, na seqüência, a poderosa Cuba, Peru e Rússia, e o Brasil foi massacrando-os por 3 x 0. Somente na última partida da primeira fase é que perdemos um set, 3 x 1 na fraca Alemanha, devido a falta de concentração.

Nas quartas-de-final, novo 3 x 0, agora diante das sul-coreanas. O problema que a semifinal seria contra Cuba, humilhada na fase inicial. Quando o jogo cubano não funciona, o time sempre apela para a provocação, e desta vez não foi diferente. Por mais que o técnico Bernardinho advertisse, não deu outra.

Conclusão: vencíamos por 2 x 1 e perdemos por 3 x 2 num último set onde as brasileiras atuaram completamente desnorteadas psicologicamente. Ao fim do jogo, se estabeleceu uma imensa confusão, com as jogadoras de ambos os times se agredindo fisicamente. Como se não bastasse, na entrada do vestiário, nova briga. O pior da história é que não havia sequer um policial no corredor dos vestiários, apesar do clima de guerra observado na quadra.

Já desmotivadas, as brasileiras penaram para ganhar o bronze contra a Rússia por duríssimos 3 x 2. As medalhistas: Ana Moser, Ida, Ana Paula, Leila, Hilma, Virna, Márcia Fu, Filó, Ana Flávia, Fernanda Venturini, Hélia "Fofão" e Sandra.
Mas os homens não ficaram para trás, principalmente os do iatismo. Eles trouxeram as outras duas medalhas de ouro para o Brasil. Robert Scheidt, 23 anos, confirmou seu favoritismo na classe Laser e Torben Grael / Marcelo Ferreira comprovaram seu status de melhor do mundo na classe Star. Apesar de ambas as conquistas só tivessem se confirmado na última regata, elas foram tranqüilas, com uma boa margem de diferença para o segundo colocado.

Com esse resultado, Torben Grael chegou a uma marca invejável, alcançou três medalhas em sua trajetória olímpica, uma de ouro, uma de prata e outra de bronze. Aliás, o seu irmão, Lars Grael junto com Kiko Pellicano abocanhou a medalha de bronze na classe Tornado. Numa disputa bastante acirrada, os brasileiros ficaram a um ponto da medalha de prata e também a um ponto da quarta colocação. Um pequeno deslize ou um pouco mais de sorte, poderiam modificar a posição deles.

Natação teve melhor atuação de todos os tempos

A natação brasileira teve a melhor participação de todos os tempos. Foram inéditas três medalhas. O maior destaque foi Gustavo Borges, duas medalhas nesta Olimpíada. Sua primeira medalha foi de prata, nos 200m livre e teve um gostinho especial, porque foi a primeira do Brasil em Atlanta. A outra veio nos 100m livre, sua especialidade, um bronze. Com isso, Gustavo já tem duas medalhas de prata e uma de bronze em apenas duas Olimpíadas.

Xuxa leva bronze

O outro medalhista foi Fernando Scherer, o "Xuxa", medalha de bronze nos 50m nado livre. Ele era um dos favoritos, mas não nadou bem nas eliminatórias e teve que disputar uma prova extra para chegar a final, pois havia empatado com outros dois nadadores na sétima e oitava posição.

Futebol decepciona mais uma vez

O futebol masculino de Bebeto mais uma vez decepcionou. Apontado pelos especialistas como única seleção capaz de ganhar o ouro, ficamos com a medalha de bronze. O estréia contra o Japão foi terrível, o Brasil entrou em campo como se já fosse o campeão olímpico. Resultado, uma derrota de 1 x 0 para um adversário sem nenhuma tradição futebolística. Na seqüência, vitórias pouco convincentes sobre a Hungria (3 x 1) e Nigéria (1 x 0). Na segunda fase, vitória suada sobre Gana por 4 x 2. Na semifinal, novamente a Nigéria; só que desta vez os africanos reverteram a desvantagem de 1 x 3 e empataram no último minuto em 3 x 3.

Na prorrogação em "morte súbita" (quem fizer o primeiro gol ganha), a Nigéria fez o gol da classificação. O consolo foi tentar o bronze. Aí, a seleção nacional resolveu acordar e jogou uma boa partida, 5 x 0 em Portugal. Eis aqui todos os jogadores: titulares: Dida, Zé Maria, Aldair, Ronaldo, Roberto Carlos, Flávio Conceição, Amaral, Juninho, Rivaldo, Bebeto, Ronaldinho. Os reservas: Danrlei, André Luís, Narciso, Marcelinho Paulista, Zé Elias, Luisão e Sávio. O técnico foi Zagalo.

Aurélio Miguel ganha o bronze

O judô mais uma vez teve importantes resultados. O campeão olímpico de 88, Aurélio Miguel, obteve o bronze na categoria meio-pesado, depois de perder uma semifinal numa decisão contestada do juiz. O até então desconhecido Henrique Guimarães também foi medalha de bronze, só que entre os meio-leves.

Atletismo também ganha o bronze

O desprestigiado atletismo brasileiro também abocanhou uma surpreendente medalha de bronze, no revezamento 4 x 100, a prova por equipes mais importante do atletismo. Arnaldo Silva, Róbson Caetano, Edson Ribeiro e André Silva só ficaram atrás dos imbatíveis canadenses e americanos. Como se não bastasse, ainda bateram seu próprio recorde sul-americano com 38'41".

Medalha ao hipismo tupiniquim

O hipismo do Brasil sempre foi respeitado internacionalmente, mas nunca tinha conquistado sequer uma medalha em Olimpíadas. O tabu se desfez em Atlanta, onde nossos cavaleiros Rodrigo Pessoa, André Johannpeter, Luís Felipe Azevedo e Álvaro de Miranda Neto, o "Doda", cumpriram uma brilhante atuação e levaram uma medalha de bronze comemoradíssima na prova de saltos por equipes, conhecida como Prêmio das Nações.

Outros atletas honraram o nome do país em Atlanta. Foi o caso do tenista Fernando Meligeni, um argentino naturalizado brasileiro. Ele chegou as semifinais, mas sucumbiu diante do experiente Sergi Bruguera. Uma mudança do regulamento impediu a garantia de uma medalha, já que até 92 os dois derrotados nas semifinais ficavam com o bronze. Foi necessária uma partida entre os perdedores e Melligeni perdeu para o hindu Leander Paes por 2 x 1. Paes conseguiu a única medalha da Índia em 1996.

Vôlei decepciona com quinta colocação

A seleção de vôlei masculino, campeã de Barcelona, apresentou problemas de convívio entre os jogadores e terminou num decepcionante quinto posto. As meninas do futebol terminaram em quarto lugar, mas quase ganharam medalhas. No tênis de mesa, a morte do jogador Cláudio Kano num acidente de moto incentivou o seu companheiro mesa-tenista Hugo Hoyama a realizar uma ótima performance, jamais conseguida por outro brasileiro. Somente perdeu nas oitavas-de-final para o tcheco Petr Korbel por 3 x 2, depois de estar ganhando de 2 x 0. No boxe também tivemos um destaque, o meio-pesado Daniel Bispo, quinto colocado, excelente posição para quem atua num país sem apoio ao pugilismo.

Depois de duas Olimpíadas longe do primeiro lugar, os EUA recuperaram seu prestígio e ficaram com a liderança no quadro de medalhas de Atlanta. Foram 101 no total, 44 de ouro, 32 de prata e 25 de bronze. Na segunda posição aparece a Rússia, base da ex-URSS, com 26 ouros, 21 pratas e 16 bronzes, 63 medalhas no total. A Alemanha surge em terceiro (20 ouros) e a China é quarta. O Brasil ocupou a 25º colocação, idêntica a de Barcelona, apesar de ter melhorado muito seu rendimento.

Um número recorde de atletas compareceram ao centenário olímpico. 10750 no total, sendo 6984 deles homens e os 3766 restantes, mulheres. Eles representaram 197 países disputando 32 esportes.

Juntando todas as medalhas obtidas de 1896 até 1996, o quadro geral de medalhas de todos os tempos da Olimpíada Moderna mostra em primeiro lugar os EUA, com 813 ouros, 622 pratas e 536 bronzes. Em segundo lugar aparece a URSS, com 393 medalhas de ouro, 316 de prata e 298 de bronze. Convém salientar que a URSS só disputou os Jogos Olímpicos de 52 até 88, as medalhas obtidas pela CEI(92) e pela Rússia(até 1912 e a partir de 96) são consideradas para esses países, não para a URSS. A CEI, por exemplo, apesar de ter disputado apenas uma Olimpíada, ocupa o 20º lugar no geral.

Barcelona (Espanha) 1992

O vôlei masculino foi amplamente dominado pelo Brasil. Os especialistas apontavam a Itália como favorita ao título, seguida pela Holanda e CEI, mas o Brasil mostrou um esquema tático perfeito e revolucionário, ganhando sem problemas todos os adversários. A primeira vítima foi a veloz Coréia do Sul, 3 x 0. Em seguida, 3 x 1 na CEI, 3 x 0 na Holanda, 3 x 1 em Cuba e 3 x 0 na Argélia. Nas quartas-de-final, o adversário foi o Japão(que ganhou dos EUA numa decisão polêmica do tribunal da Federação Internacional de Voleibol, após perderem o jogo na quadra) e nova vitória por 3 x 0. A semifinal foi dificílima, porque estávamos diante dos bicampeões olímpicos, os EUA, mas novamente jogamos bem e ganhamos por 3 x 1.

O adversário da final era a Holanda que vinha motivada pela vitória sobre a Itália nas quartas-de-final e pela perspectiva de se vingar dos brasileiros de quem haviam perdido na primeira fase por 3 x 0. Mas não adiantou, eles só endureceram o primeiro set e sucumbiram diante da imensa supremacia brasileira nos jogos de Barcelona, 3 x 0 (15/12, 15/8 e 15/5) e a primeira medalha de ouro de um esporte coletivo para o Brasil em toda a história dos Jogos Olímpicos. Enfim, não dependíamos mais de um herói solitário, porque a equipe brasileira mostrou união e garra para buscar a conquista. Os campeões: Marcelo Negrão, Jorge Edson, Giovane, Paulão, Maurício, Janelson, Douglas, Carlão, Talmo, Pampa, Tande e Amauri. O técnico foi José Roberto Guimarães.

O Brasil conquistou apenas três medalhas em Barcelona. Foram duas medalhas de ouro e uma de prata, sem contar os inúmeros quartos lugares de nossos atletas.

Judô traz nova glória ao país

Além da medalha de ouro do vôlei masculino, o judô novamente trouxe glória ao país. O meio-leve Rogério Sampaio, um desconhecido até no Brasil, venceu suas lutas iniciais por ippon (uma espécie de nocaute, onde o judoca aplica um golpe perfeito ou imobilização por 30 segundos). Na semifinal, venceu o campeão mundial Udo Günter Quelmalz por decisão dos juizes e na final, bateu o húngaro Jozsef Csak por pontos, numa contenda tranqüila.

Gustavo Borges leva prata na natação

A medalha de prata veio com Gustavo Borges na natação na prova dos 100m nado livre. Gustavo fez uma prova muito boa e chegou em segundo lugar, atrás somente do campeoníssimo Aleksandr Popov, da CEI. No entanto, o sensor eletrônico de sua raia não registrou seu tempo. Gustavo ficou inconformado ao olhar o placar e ver que ocupava a última posição sem tempo assinalado. Os árbitros responsáveis pela prova conferiram o tempo do cronômetro manual e o VT e chegaram a conclusão que Gustavo Borges realmente havia chegado em segundo lugar; e mais, o tempo de 49'43" deu-lhe o recorde sul-americano.

Vários brasileiros ficaram a um passo da medalha e bronze, tendo que se conformar com honrosa mas dolorosa quarta posição. Entre eles estão Róbson Caetano nos 200m rasos, José Luís "Zequinha" Barbosa, nos 800m, a equipe dos 4 x 400m do atletismo e o vôlei feminino. O tênis brasileiro também foi bem representado. Jaime Oncins ficou a uma vitória do bronze ao perder as quartas-de-final para Andrei Cherkasov, da CEI por apertados 3 x 2.

Futebol, iatismo e basquete brasileiros decepcionam

Por outro lado, alguns esportes decepcionaram. O futebol nem se classificou no pré-olímpico do Paraguai; o iatismo, sempre presente com medalhas, foi muito mal, seu melhor resultado foi um longínquo oitavo lugar na classe Tornado. O nosso basquete masculino não passou de um novo quinto lugar e o feminino, que fazia sua estréia em Olimpíadas, não passou da sétima e penúltima posição.

Seul (Coréia do Sul) 1988

Os 170 atletas brasileiros enviados a Seul(35 mulheres) obtiveram seis medalhas, uma de ouro, duas de prata e três de bronze.

Aurélio Miguel vence todas e garante ouro

O ouro veio do principal esporte, a nível de medalhas, brasileiro em 84, o judô. Aurélio Miguel, da categoria meio-pesado, venceu todas suas lutas e garantiu o ouro. O detalhe é que Aurélio Miguel não marcou nenhum ponto sequer em suas lutas, ou venceu por decisão dos árbitros ou por falta de combatividade do adversário.

O atletismo nos deu duas medalhas. Novamente Joaquim Cruz nos 800m fez uma ótima prova, mas foi ultrapassado na reta final pelo queniano Paul Ereng. Na mesma prova, José Luís "Zequinha" Barbosa terminou em sexto depois de liderar 2/3 da prova. O outro brasileiro a triunfar no "esporte base" foi Róbson Caetano na competitiva prova dos 200m. Róbson fez um ótimo tempo de 20'04", atrás de Joe DeLoach e Carl Lewis, com marcas inferiores a 20'. Nos 100m, Róbson Caetano obteve um excelente quinto posto.

Outro esporte tradicional para os brasileiros, o iatismo, foi importante para o nosso desempenho em 88. Foram duas medalhas de bronze, uma na classe Star com Torben Grael e Nélson Falcão e outra na Tornado com Lars Grael(irmão de Torben) e Clínio de Freitas.

Prata e zebra no futebol

O futebol mais uma vez voltou com a prata, apesar do favoritismo. Na fase de classificação, três vitórias, 4 x 0 na Nigéria, 3 x 0 na Austrália e 2 x 1 na Iugoslávia. Na outra etapa, jogamos um clássico contra a Argentina e novo triunfo, agora por 1 x 0. Veio as semifinais. Enquanto de um lado a URSS batia a Itália (que foi humilhada na fase de classificação pela inexpressiva Zâmbia por 4 x 0) por 3 x 2 na prorrogação, o Brasil empatou com a poderosa Alemanha Ocidental por 1 x 1. Na disputa de pênaltis, surgiu a figura de "São Taffarel", que defendeu dois pênaltis, além do que havia pego na prorrogação, e a vitória por 4 x 3. Na final, fomos muito prejudicados pelo árbitro francês Gerard Piguet e perdemos por 2 x 1 na prorrogação.

Los Angeles (EUA) 1984

Nossos 152 atletas, entre eles 21 mulheres, obtiveram oito medalhas: uma de ouro, cinco de prata e duas de bronze. O melhor desempenho do Brasil foi em Moscou onde, apesar de termos conseguido apenas quatro medalhas, tivemos duas de ouro, a que mais vale no quadro de medalhas.

Joaquim Cruz traz ouro ao Brasil

Veio do atletismo nossa única medalha de ouro. Joaquim Cruz, 21 anos, na prova dos 800m, desbancou o favorito inglês Sebastian Coe e ganhou o ouro batendo o recorde olímpico de Alberto Juantorena de 76. Sua marca de 1'43" cravados só foi superada em 96.

A diferença para o segundo colocado, Coe, foi de 5m, uma das maiores de todos os tempos. Joaquim Cruz foi um dos maiores atletas juvenis da história e sua carreira em Jogos Olímpicos e competições internacionais poderia ter tido mais sucesso ainda se as contusões não perseguissem tanto esse brasileiro.

Judô: três medalhas

O judô nos deu nada menos que três medalhas. Luís Onmura, na categoria leves e Walter Carmona, nos médios obtiveram a medalha de bronze. Nos meio-pesados, Douglas Vieira, depois de uma luta equilibrada com o coreano Ha Hyoung-Zoo, ficou com a medalha de prata através de uma decisão dos jurados.

Na natação, Ricardo Prado, ex-recordista mundial, obteve a medalha de prata nos 400m medley, superado por Alex Baumann. Nos 200m costas, Prado quase abocanhou o bronze, mas terminou em quarto. No iatismo, Torben Grael, Daniel Adler e Ronaldo Senft garantiram na última regata mais uma medalha de prata para o Brasil na classe Soling.

As outras duas medalhas de prata foram ganhas em esportes coletivos. No futebol, nossa seleção foi formada por jogadores da equipe do Internacional(RS) reforçada por alguns de outros times, porque os clubes se recusaram a ceder seus principais atletas. Em 84, a FIFA permitiu que jogadores profissionais disputassem o torneio, desde que nunca tivessem ido a uma Copa do Mundo.

Futebol brasileiro perde para a França

O Brasil estreou contra a forte Alemanha Ocidental, mas venceu por 1 x 0. Depois, ganhou da Arábia Saudita por 3 x 1 e de Marrocos por 2 x 0. Na segunda fase, surpreendentemente empatou com o Canadá por 1 x 1 (com 0 x 0 na prorrogação) e só venceu nos pênaltis por 4 x 2. Veio a semifinal e a vitória sobre a tradicional Itália, 2 x 1. No entanto, na final perdemos para a França por 2 x 0, que com esse resultado quebrou a seqüência de títulos dos países socialistas. Nossa seleção: Gilmar, Ronaldo, Pinga, Mauro Galvão e André Luiz; Ademir, Dunga e Gilmar "Popoca"; Tonho, Kita e Silvinho. Os reservas eram Chicão, Davi, Milton Cruz, Luís Carlos Winck, Paulo Santos e João Marcos. O treinador era Jair Piccerni.

Prata no vôlei

O voleibol masculino, vice campeão mundial de 82, aproveitou a ausência das forças comunistas para assegurar a prata. Na primeira fase, ganhamos da Argentina(3 x 1), da Itália(3 x 1), Tunísia(3 x 0) e dos EUA(3 x 0). Apenas uma derrota, 3 x 1 para a Coréia do Sul. Na final, nossos meninos sucumbiram diante dos mesmos americanos de quem haviam vencido anteriormente, placar: 3 x 0 para os EUA. Nosso plantel: Bernardinho, Xandó, Badalhoca, Montanaro, Ruy, Renan, Amauri, Marcus Vinícius, Domingos Maracanã, Fernandão, William e Bernard. O técnico, Bebeto de Freitas.

Mais dois quartos surpreendentes lugares honraram o nome do Brasil. No remo, prova dos dois com, com Walter Hime Soares, Angelo Rosso Neto e Nílton Silva Alonço; e no tiro, com Delival Nobre, na pistola de tiro rápido. Ele perdeu o bronze no desempate. Nosso basquete masculino foi nono colocado.

Moscou (Rússia) 1980

O Brasil mandou a Moscou 109 atletas, sendo 15 mulheres e conseguiu uma grande campanha. A decisão de não aderir ao boicote foi muito boa para o esporte nacional. Foram duas medalhas de ouro e duas de bronze.

Nossos dois ouros vieram do iatismo. Na classe 470, com Marcos Soares e Eduardo Penido e na classe Tornado com Alexandre Welter e Lars Bjorsktrom. O Brasil se consolidava como um tradicional medalhista nesse esporte.

Os bronzes tiveram sensações diferentes. O da natação, na prova dos 4 x 200 livre(com Jorge Fernandes, Cyro Delgado, Djan Madruga e Marcus Mattioli) teve sabor de ouro, porque os brasileiros só queriam bater o recorde sul-americano e abocanharam o bronze.

João do Pulo é escandolasamente injustiçado

No atletismo, prova do salto triplo, "João do Pulo" foi escandalosamente roubado pelos juizes da competição. Simplesmente anularam nove das 12 tentativas do brasileiro alegando que João pisou na linha de salto. As televisões mostraram para o mundo todo que vários saltos considerados queimados foram perfeitos.

Os soviéticos queriam que Viktor Saneyev conquistasse em casa seu quarto ouro seguido, mas, não infeliz ou felizmente para eles, um compatriota, Jaak Udmae superou Saneyev e obteve o ouro. João ainda alcançou o bronze. Em 81, após um grave acidente automobilístico, "João do Pulo" teve sua perna amputada e encerrou prematuramente sua carreira.

O basquete masculino brasileiro foi novamente eliminado no pré-olímpico, mas o boicote dos EUA e do Canadá abriu uma vaga para nossa seleção que ficou em quinto lugar. O vôlei masculino se honrou com a quinta posição e o feminino foi o sétimo e penúltimo lugar.

No iatismo, além dos dois ouros, mais uma boa posição, um quarto lugar de Cláudio Biekarck na classe Finn. Djan Madruga não se deu por satisfeito com o bronze nos 4 x 400 da natação e ficou em quinto nos 400m medley. No atletismo, vale destacar a quarta posição de Agberto Guimarães nos 800 e o quinto lugar no 4 x 400 dos homens.

 

Montreal (Canadá) 1976

O Brasil teve uma participação apenas razoável nos Jogos Olímpicos de 1976. Os 81 atletas (7 mulheres) presentes em Montreal, conseguiram apenas duas medalhas de bronze, uma no salto triplo com João Carlos de Oliveira, o "João do Pulo", mantendo a tradição brasileira de medalhas nessa prova, precedida por Adhemar Ferreira da Silva e Nélson Prudêncio; e outra com o iatismo, categoria Flying Dutchman com Reinaldo Conrad e Peter Ficker. O Brasil obteve também bons resultados no salto em distância com "João do Pulo", o quinto colocado e com o futebol, quarto. As decepções foram o vôlei masculino, sétimo lugar e o basquetebol masculino, desclassificado no pré-olímpico.

Munique (Alemanha) 1972

Brasil enviou até a Alemanha Ocidental 90 atletas, sendo cinco mulheres. Conquistamos duas medalhas de bronze com Nélson Prudêncio e Chiaki Ishii. Prudêncio pulou 16m45 na sua última tentativa e ficou com a medalha de bronze no salto triplo. O ouro foi, novamente, para o soviético Viktor Saneyev. No judô, o meio-pesado Chiaki Ishii foi o primeiro brasileiro a ganhar uma medalha olímpica no esporte; ele foi o precursor de uma tradição de bons resultados de judocas brasileiros.

No basquete, fomos sétimo. No futebol perdemos para o desconhecido Irã por 1 x 0 e fomos eliminados, apesar de Falcão e Dirceu, futuros craques, estarem no elenco. No iatismo, os medalhistas de 68, Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes, na categoria Flying Dutchman foram quarto colocados. Na natação, O Brasil foi quarto nos 4 x 100m, quinto nos 4 x 100 medley e sexto colocado nos 100m livre com José Silvio Fiolo.

 

Cidade do México (México) 1968

No salto triplo, o recorde de oito anos, 17m03, foi ultrapassado pelos cinco primeiros colocados. O brasileiro Nélson Prudêncio conseguiu 17m27 (seu recorde pessoal era de 16m45) e liderou a prova até o último salto do soviético Viktor Saneyev. No entanto, no derradeiro salto, Saneyev obteve 17m39 e a medalha de ouro. Prudêncio teve que se contentar com a prata. O recorde do soviético foi superado em 75 por um brasileiro, o João do Pulo, que no mesmo estádio Olímpico da Cidade do México saltou 17m89. O incrível Saneyev manteria o título olímpico em 72 e 76 e conseguiria uma prata em 80.

Além da prata de Prudêncio, o Brasil obteve mais duas medalhas de bronze. Uma foi no boxe, através de Servílio de Oliveira, na categoria moscas. Ele conseguiu o feito que o maior lutador brasileiro, Éder Jofre, não havia obtido, uma medalha olímpica. Servílio ainda se profissionalizou, mas um deslocamento de retina fez com que ele se aposentasse mais cedo no esporte.

A outra foi no iatismo, categoria Flying Dutchman com Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes. Os brasileiros vinham de um ouro no Pan-Americano de 67 em Winnipeg, no Canadá, mas sucumbiram diante da eficácia dos velejadores da Grã-Bretanha, ouro e Alemanha Ocidental, prata.

Uma grande esperança de medalha era o nadador José Sílvio Fiolo nos 100m de peito, prova que estreava em Olimpíadas. Fiolo, era cotado como candidato a no mínimo uma medalha de prata. No entanto, acabou a prova em quarto lugar, a um décimo do bronze.

 

Tóquio (Japão) 1964

O Brasil voltou de Tóquio com apenas uma medalha: um bronze no basquete. Além disso, mais dois destaques marcaram a participação brasileira: Nélson Pessoa Filho, quinto no Prêmio das Nações individual, e Aida dos Santos, quarta colocada no salto em altura. O interessante é que Aida era a única mulher da delegação brasileira, não tinha técnico e tinha como recorde 1m65. Na competição, chegou a saltar 1m74 e depois chorou. Chorou de alegria por ser a quarta melhor do mundo com uma marca absurda de 9cm acima do seu recorde.

 

Roma (Itália) 1960

O Brasil teve seus momentos de glória com duas medalhas de bronze. Na natação, nos 100m livres, Manuel dos Santos foi o terceiro colocado com 55"4. Em 61 ele bateria o recorde mundial da distância com 53"6, sendo o primeiro homem a nadar abaixo dos 54".

O basquetebol masculino, campeão mundial de 59, trouxe uma medalha de bronze. Chegamos invictos ao quadrangular final. No primeiro jogo, vitória sobre os donos da casa, a Itália, por 78 x 75. Depois, derrotas para a URSS (64 x 62) e para os EUA (90 x 63) e o bronze garantido. O time do Brasil era formado por Amaury, Sucar, Massoni(Mosquito), Edson Bispo, Rosa Branca, Algodão, Wlamir Marques, Waldir Boccardo, Fernando Freitas, Jathir, Waldemar Blatkauskas e Moisés Blás. O técnico foi o legendário Togo Renan Soares, o Kanela, tio do humorista Jô Soares.

No ciclismo, o paulista Anésio Argenton foi o quinto e o sexto na velocidade e nos 1000m contra o relógio respectivamente. O ouro nestas duas provas foi para o italiano Sante Gaiardoni. O futebol foi eliminado na primeira fase com duas vitórias (4 x 3 sobre a Grã-Bretanha e 3 x 1 no Taiwan) e uma derrota (5 x 3 para a Itália). O meio-campo Gérson jogou nesta seleção. O bicampeão olímpico do salto triplo Adhemar Ferreira da Silva foi eliminado na segunda eliminatória com um fraco salto de 15m07. Ele estava tuberculoso e tinha 33 anos. Decepcionado, Adhemar estava saindo cabisbaixo do estádio quando o público e seus próprios adversários o aplaudiram calorosamente, reconhecendo sua fantástica carreira. Adhemar é um dos integrantes do Hall da Fama da IAAF.

Melbourne (Austrália) 1956

Nossa delegação de 47 homens e 1 mulher trouxe apenas uma medalha, e de ouro, novamente com Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo. Ainda recordista mundial com a incrível marca de 16m56 e aos 29 anos, Adhemar era o favorito em Melbourne. No entanto, o islandês Vilhjalmur Einarsson, um desconhecido, marcou 16m26, um salto excepcional. Adhemar se concentrou e pulou 16m35, novo recorde olímpico e o suficiente para um novo triunfo.

O pugilista Éder Jofre, futuro profissional e campeão mundial, ficou com o quinto posto na categoria galo. Nas quartas-de-final, foi prejudicado pelos jurados que deram a vitória ao chileno Claudio Barrientos, a quem venceria pelo título sul-americano.

 

Helsínque (Finlândia) 1952

O Brasil foi bem representado em Helsinque. Foram três medalhas, uma de ouro e duas de bronze. O primeiro bronze veio no atletismo, onde José Telles da Conceição tirou o terceiro lugar na prova do salto em altura com 1m98. O outro bronze veio do nadador Tetsuo Okamoto nos 1500m nado livre da natação.

Nossa principal esperança era Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo; e foi justamente ele quem trouxe a única medalha de ouro para o Brasil em 52. Já recordista mundial desde 51, com 16m01, Adhemar venceu tranqüilamente a disputa batendo duas vezes o seu próprio recorde, com 16m12 e 16m22, seu melhor salto. Sua vantagem foi tanta que o segundo colocado, o soviético Leonid Sherbakov ficou a 24 centímetros de sua marca. A carreira de Adhemar seguiria fenomenal. De 51 a 56, ele conseguiria 40 vitórias consecutivas.

O Brasil conseguiu bons resultados também no salto em distância, com Ary Façanha de Sá e no hipismo, salto individual, com Eloy Oliveira e por equipe, ambos com o quarto lugar. O futebol ficou com a quinta colocação

 

Reino Unido (Inglaterra) 1948

O Brasil conseguiu, finalmente, depois das medalhas de 1920, um lugar no pódio. Nossa equipe de basquete masculino levou o bronze. Após sermos os primeiros colocados no grupo A da primeira fase, pegamos a campeã européia, a Tchecoslováquia e ganhamos por 28 x 23. Na semifinal perdemos da França por 43 x 33. Fomos tentar o bronze contra o México. Em uma boa partida, vencemos por 52 x 47 e ficamos com a medalha. O ouro foi para os Estados Unidos com 65 x 21 diante da França. A equipe do Brasil era formada por Pacheco, Alfredo, Algodão, Massinet, Gemignani, Marson, Vinícius, Ruy, Évora e Braz. O técnico foi Moacyr Daiuto.

Outros bons resultados brasileiros foram um quinto lugar no salto triplo, com Geraldo de Oliveira; um quinto no boxe, categoria leves, com Ralph Zumbano e uma sexta colocação da já veterana Piedade Coutinho (com o sobrenome de casada, Silva Tavares) na natação, prova dos 400m.

Berlim (Alemanha) 1936

O Brasil enviou a Berlim 94 atletas. Novamente uma confusão. O recém fundado COB (Comitê Olímpico Brasileiro) em 1935 e a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), que selecionava até então os atletas olímpicos, queriam ter o direito de escolher a delegação brasileira. Acabaram viajando para a Alemanha duas delegações, fato que era proibido. Um dia antes da abertura dos jogos, através de um acordo, houve uma fusão.

Nossos destaques foram José Salvador Trindade, quinto lugar na prova de carabina no tiro; Piedade Coutinho, quinta colocada nos 400 m livre na natação e Sylvio de Magalhães Padilha, também quinto colocado na difícil prova dos 400m com barreira no atletismo. Ele seria um dos mais conhecidos homens do esporte brasileiro por presidir o COB por mais de 20 anos e ser membro do COI.

Um outro brasileiro que se destacaria no futuro competiu em Berlim. Jean Marie Faustin Godefroid Havelange, mais conhecido como João Havelange. O futuro presidente da FIFA por mais de duas décadas, teve um desempenho horroroso na natação, ficando desclassificado na primeira eliminatória.

Nossa maior esperança, a nadadora Maria Lenk, de 21 anos, decepcionou e não chegou a nenhuma final. Ela foi a primeira mulher a nadar um novo estilo, o nado borboleta, inicialmente agregado ao nado de peito, mas em 1951 separado por ser mais veloz. Suas maiores chances seriam nas duas próximas Olimpíadas, que não foram realizadas por causa da guerra, onde Lenk nadaria como recordista mundial dos 400m livres e com chances de medalha em outras provas. Em 87, entrou para o Hall da Fama da FINA (Federação Internacional de Natação) em Miami, Estados Unidos, o que prova sua importância no cenário mundial.

Los Angeles (EUA) 1932

A participação brasileira em Los Angeles foi bastante curiosa. Embarcaram para os Estados Unidos no navio Itaquicê 69 atletas e 43 delegados e treinadores (13 atletas foram por conta própria). Junto deles, 50 mil sacas de café que deveriam ser vendidas nos portos onde passasse o navio para arrecadar dinheiro para pagar as taxas de desembarque e permanência nos Estados Unidos. Depois de ficarem quatro dias presos no canal do Panamá por não terem dinheiro para pagar a taxa de passagem (eles tentaram enganar os panamenhos colocando um canhão na poupa do navio, pois embarcações de guerra não pagavam impostos), chegou-se a triste conclusão que só se tinha dinheiro para o desembarque de apenas 45 atletas. O jeito foi selecionar os que tinham mais chances de boas colocações e deixar os outros 24 retidos no navio até o final da Olimpíada.
Nossos melhores resultados foram um sexto lugar no salto com vara com Lúcio de Castro, um quarto lugar no remo (dois com) e um sétimo lugar na prova de 4 x 200 da natação masculina; sendo que os dois últimos representaram a última colocação.

O iron man brasileiro

Dois acontecimentos marcaram a presença do Brasil. No pólo aquático, após perdermos por 6 x 1 para os anfitriões, fomos jogar com a forte Alemanha. Novo massacre, agora por 7 x 3. Revoltados com o árbitro do jogo, o húngaro Bela Komjadi, os atletas brasileiros agrediram-no e acabaram sendo desclassificados dos jogos. Outro fato interessante foi de Adalberto Cardoso que era um dos 24 desprezados do navio Itaquicê. Decidido a ir a Los Angeles de qualquer jeito, rumou 600 Km de São Francisco, onde estava o navio, até a Califórnia pedindo carona. Chegou ao estádio dez minutos antes do início de sua prova, os 10.000 metros, cercado de repórteres; trocou de roupa e correu. Obviamente, chegou em último lugar, mas foi ovacionado pelo público já ciente de sua maratona. A imprensa o apelidou de "iron man".

 

 

Paris (França) 1924

Apesar do sucesso sul-americano, (além do Uruguai, a Argentina ganhou seis medalhas) o Brasil teve uma participação bem fraca em Paris. Nossos 11 representantes apenas tiveram algum destaque no double skiff do remo, com o quarto posto. Atrapalhou bastante nossos atletas a briga política na Confederação Brasileira de Desportes (CBD) principalmente entre paulistas e cariocas, o que resultaria na não participação do país em 1928.

 

Antuérpia (Bélgica) 1920

O Brasil faz sua estréia em Jogos Olímpicos. Com apenas 29 atletas, conseguimos três medalhas, todas no tiro. Após desgastante viagem de navio e trem, os brasileiros participantes do tiro descobriram que haviam sido roubados. Toda a munição e as armas tinham ido embora. A solução era pedir ajuda. Surpreso com a péssima qualidade das armas que os brasileiros conseguiram, o americano George Sanders, amigo de Afrânio da Costa, emprestou duas pistolas dos americanos e 2000 balas. Deve ter se arrependido. O brasileiro Guilherme Paraense superou todos e ganhou o ouro na prova de pistola de tiro rápido. Já Afrânio, conquistou a prata na categoria pistola livre. Nossa equipe levou o bronze na pistola livre por equipes, com Afrânio da Costa, Guilherme Paraense, Fernando Soledade, Dario Barbosa e Sebastião Wolf.

O remo brasileiro chegou em um quarto lugar honroso no quatro com patrão. O nosso pólo aquático levou a sexta colocação e nossa natação foi muito mal.

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