25/08/2008 01:18:00

Brasil cor de rosa

COB enaltece campanha e destaca conquistas inéditas das mulheres. ‘Se separar o feminino do masculino, elas ficaram em 15º lugar; eles, em 28º

Danielle Rocha


Pequim - A campanha brasileira nos Jogos de Pequim foi considerada por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a melhor da história. Só que, para chegar a essa conclusão, o dirigente mudou seus critérios de análise. Ao contrário dos Jogos de Atenas, quando se baseou na quantidade de medalhas douradas, Nuzman levou em consideração, em Pequim, não o número de ouros ou o total de medalhas, mas as conquistas inéditas e o maior número de finais.

O Brasil terminou a competição em 23º lugar, com três ouros, quatro pratas e oito bronzes — 15 no total. Fez 38 participações em finais, contra 30 em Atenas e 22 em Sydney. Igualou a campanha de Atlanta-96 em pódios, mas ficou abaixo da de Atenas em relação ao número de primeiros lugares: teve dois a menos.

“Foi mais um passo para o processo de evolução do esporte brasileiro. Chegamos aqui batendo três recordes: maior delegação, maior número de mulheres e maior número de modalidades. Ainda batemos três recordes olímpicos e tivemos conquistas como a primeira medalha de ouro no esporte coletivo feminino”, disse Nuzman, que apresentou uma lista delas.

A atuação das mulheres nesta Olimpíada foi elogiada pelo COB. “A evolução foi gigantesca. O Brasil mostrou sua cara cor-de-rosa. Se separar o feminino do masculino, elas ficaram em 15º lugar; eles, em 28º", destacou o chefe de missão, Marcus Vinícius Freire.

A distribuição de medalhas entre 87 países também foi utilizada para mostrar a evolução num cenário mais competitivo. “A antiga União Soviética é um exemplo. Hoje, temos 13 países da ex-URSS e todos ganharam ao menos uma medalha. Em várias provas individuais, os ex-soviéticos dominaram o pódio”, disse Marcus Vinícius.

Assim como fizeram os EUA — para justificar a derrota para a China —, o COB também usou o número total de medalhas e não o de ouros, para mostrar que o país teria ficado na 17ª posição. Também comparou campanhas. “Há muitas Olimpíadas, o Brasil não ficava à frente de Cuba. Foi um mito ultrapassado. A Grécia, sede da Olimpíada passada, há quatro anos ficou à frente do Brasil e hoje não conquistou nenhum ouro”, argumentou Nuzman.

A participação de chineses e britânicos impressionou os dirigentes brasileiros. A dos donos da casa porque contrataram técnicos estrangeiros e investiram para ganhar. A dos próximos anfitriões, que ficaram na quarta posição, porque provaram que estão fazendo um bom trabalho para os Jogos de 2012. “É o que pretendemos fazer se ganharmos a sede para 2016”, afirmou o chefe de missão.


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