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Rio - Ícone da natação brasileira e o primeiro brazuca a colecionar quatro medalhas olímpicas, Gustavo Borges embarca nas próximas semanas para os Jogos de Pequim. Na bagagem, nada de sungas e de toucas. Ele irá como comentarista e, principalmente, como torcedor e amante do esporte. As apostas de Gustavo na natação giram em torno de três nomes: César Cielo Filho, Thiago Pereira e Kaio Marcio de Almeida.
"Natação é muito preto no branco. Os três estão em uma situação de disputar finais. Se fizerem bons tempos, Thiago chega para brigar com fortes nomes, Cielo pode disputar um bronze e Kaio também vai dar trabalho. Ainda podemos chegar junto no revezamento 4x100m medley, que tivemos bons índices na fase classificatória", explicou.
Para Gustavo, os nadadores brasileiros estão no caminho certo da evolução do esporte.
"Todo mundo tem dois braços e duas pernas. O conjuntos dos Estados Unidos e da Alemanha, por exemplo, tem um trabalho consolidado, de muitos anos. Alguns países, como infelizmente é o nosso caso, têm nadadores esporádicos. Hoje, temos Thiago, Kaio e César, que são talentos do momento. Assim como eu e Fernando (Scherer, o Xuxa) fomos em Los Angeles", disse.
Aos 35 anos, Gustavo Borges não acredita na teoria de que atletas treinados fora do país possam render mais. Para ele, a estratégia da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) de fazer períodos de intensivos treinamentos em países diferentes é suficiente para um país que não conta com estrutura de ponta.
"Hoje acredito menos nisso do que na minha época. Passei 10 anos morando fora, treinando muito. Fernando Scherer nunca fez isso e foi um medalhista olímpico também. Quase todos os atletas da atual seleção brasileiras fizeram intercâmbio de treinamento para Pequim. Isso é muito bom. Todo mundo fez isso, o mundo ficou mais forte".
A história olímpica de Gustavo começou em 1992, quando, aos 18 anos, surpreendeu o mundo ao ganhar medalha de prata nos 100m livre dos Jogos de Barcelona (com o surpreendente tempo de 49s43). Quatro anos depois, Gustavo voltaria a brilhar em Atlanta, em 1996, quando faturou a prata nos 200m livre (1m48s08) e o bronze nos 100m do mesmo estilo (49s02). Atlanta marcou também o sucesso de outro ídolo das piscinas nacionais, Fernando Scherer, que ganhou o bronze nos 50m livre (22s29). Nunca a natação brasileira saíra de uma Olimpíada com mais de uma medalha na bagagem.
"Nunca tivemos uma equipe brasileira como esta que estará em Pequim. Não podemos dizer que entrará para a história porque tudo depende de uma medalha. O time é muito forte, mas temos que esperar para ver o que vai acontecer. Em 96, era praticamente eu e Fernando e conquistamos, juntos, três medalhas", contou.
Gustavo Borges ainda conquistou mais uma medalha de bronze, em Sydney, 2000, com o revezamento 4x100m livre. Em 2004, em Atenas, aos 31 anos, se despediu das piscinas. O 12º lugar da equipe brasileira no revezamento 4x100 m livre não foi o resultado que se esperava para fechar a carreira de um campeão, mas serviu para que ele tivesse a sensação de missão cumprida.
"Foi a hora certa de parar. Sou um homem realizado", finalizou.
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