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Pequim - Esporte é superação. Mas, acima de tudo, é um misto de concentração e extravazamento de emoções. Em Pequim, muitas histórias vividas por atletas poderiam muito bem fazer parte de um roteiro de um drama. Tanto dos que tem finais felizes quanto dos dramas reais, que na maioria das vezes acabam como começam.
Para os chineses, drama passou a se chamar Liu Xang. Favorito na prova de 110m com barreira e ídolo nacional mais ovacionado que o gigante do basquete Yao Ming, Xang nem chegou à final da prova devido a uma lesão antes mesmo de competir nas eliminatórias.
"Não estou deprimido após ver a final. Ao contrário, sinto renascer meu desejo de vitória", disse Xiang em sua coluna no jornal chinês Libertação.
Equiparado ao drama chinês, podemos citar a situação vivida por Diego Hypóltio. Também favorito, o atleta da ginástica artística causou maior decepção ainda, já que terminou a primeira fase das provas de solo em primeiro lugar geral. O ouro, dado como certo para a final de dias depois, acabou ficando para trás por causa de uma queda.
Diego executou a série perfeita, mas na última acrobacia levou um tombo e caiu sentado. A expressão do atleta na hora da queda foi de desespero.
Depois de chorar muito e se recolher, ele falou aos jornalistas que não estava contando com a vitória garantida. "Não sou um amarelão", afirmou.
Já na maratona aquática aqueles enredos para as boas histórias foram frutíferos. O campeão da prova masculina, o holandês Maarten van der Weijden, superou uma leucemia para ir em busca da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.
Van der Weijden, de 27 anos e 2,05m, disse que a doença foi um motivo para ele se superar.
"Acho que a leucemia me ensinou como pensar um passo por vez. Quando você está deitado em uma cama de hospital se sentindo cansado, não quer pensar no próximo mês ou semana. Só quer pensar na próxima hora. Tem que ser paciente. Deitar e esperar. Acho que foi quase a mesma estratégia que usei aqui", comentou.
Na maratona feminina um exemplo perfeito de superação: a sul-africana Natalie du Toit, que perdeu a perna em um acidente de moto, competiu mesmo assim e terminou na décima sexta colocação.
"Pude usar o negativismo de uma forma boa e dizer após o meu acidente: ‘eu ainda posso fazer isso se trabalhar duro’. Você precisa traçar metas e nunca desistir", disse a atleta ao diário inglês “Herald Tribune”.
Choro de alegria e leveza após o dever cumprido
Os campeões também choram. E muitas vezes provam que a aparente tranquilidade e concentração na hora das provas precisa de um momento para que toda aquela energia seja colocada para fora.
Nestes Jogos Olímpicos, um brasileiro nos ensinou a chorar de alegria. César Cielo, campeão nos 50 m nado livre, se emocionou ainda na piscina, quando viu que havia conquistado o ouro.
No pódio, ao ouvir o hino brasileiro, o nadador não se segurou e foi às lágrimas outra vez. A comoção tomou conta do Cubo D´água, e o público aplaudiu o brasileiro de pé.
Ainda que Cielo tenha conseguido um feito inédito para a história da natação, o primeiro ouro, o choro foi fruto também do fato de Cielo não ter chegado a Pequim como grande favorito. Os melhores tempos eram do australiano Eamon Sullivan.
Chegar como grande favorito, vencer e estabelecer marcas históricas, foi a tarefa da bela e competente Yelena Isinbayeva, a russa recordista mundial do salto com vara.
Depois de alcançar 5,05m e conquistar a medalha de ouro, ela subiu ao pódio, comemorou, e ao receber a medalha desabou em lágrimas.
O Estádio Ninho de Pássaro veio abaixo e aplaudiu a grande campeã, que estreou em Olimpíadas apesar de já ter batido o recorde na prova mais de vinte vezes.
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para os EUA : 3 a 1