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Pequim - Talvez o mundo nunca tenha visto a natação mundial explodir como explodiu nos Jogos Olímpicos de Pequim. Explosão de recordes, explosão de Michael Phelps, explosão de ótimos resultados brasileiros. Nossos "peixes voadores" nunca brilharam tanto e nomes como Cesar Cielo Filho, Gabriella Silva e Rodrigo Castro conquistaram espaços na imprensa. Antes, a referência da natação verde-amarela era apenas Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa. Após o Pan do Rio, o Brasil conheceu Thiago Pereira e Kaio Marcio de Almeida (detentores de recorde mundiais em piscinas curtas).
No mágico Cubo D"Água, a natação do Brasil somou uma medalha de ouro, uma de bronze, três recordes olímpicos, 16 recordes sul-americanos, seis finais e duas semifinais. Foram 24 atletas e presença brasileira em praticamente todas as provas disputadas.
Cesar Cielo conquistou a inédita medalha de ouro na modalidade e ainda somou um bronze, nos 50m e 100m livre respectivamente. A carioca Gabriella Silva foi para a final dos 100m borboleta e terminou em 7º lugar. Resultado excelente para o natação feminina. Rodrigo Castro, o mais experiente do grupo pelas terras chinesas, quebrou o recorde sul-americano de Gustavo Borges, nos 200m livre, que durava 12 anos. Uma das mais antigas marcas da natação da América do Sul.
Nos Jogos de Atenas, em 2004, brilhamos em apenas cinco finais olímpicas, oito semifinais e conquistamos nove recordes sul-americanos. A seleção, composta por 23 atletas, contava com fortes nomes como Gustavo Borges, Fernando Scherer, Rogério Romero e Rebeca Gusmão.
Hoje, esse elenco se renovou. Do grupo de 2004, sete nadadores se aposentaram e duas estão suspensas por doping. Apenas 9 atletas fazem parte da mesma seleção.
A média de idade dos atletas nesta Olimpíada foi maior do que nas edições anteriores. No masculino, o mais novo tem 22 anos (Thiago Pereira) e o mais velho (Rodrigo Castro) com 29. Em Atenas, Gustavo Borges era o mais velho, com 32 anos, e o mais novo, novamente, era o Thiago, na época com 18.
No feminino, revelações como Daynara de Paula e Gabriella Silva, ambas com 19 anos, brilharam em Pequim. Fabíola Molina, com 33 anos, foi a mais experiente entre as mulheres. Nos Jogos da Grécia, a mais nova de idade foi Joanna Maranhão, com 17 anos, e a mais velha, com 25 anos, Tatiana Lemos.
Isso mostra que a explosão e o aprimoramento das técnicas deve-se ao tempo e ao amadurecimento dos atletas. Os intensos quatro anos de treinamento durante esses ciclos olímpicos são necessários para a evolução do esporte.
"Em Atenas foram batidos 18 recordes olímpicos. Aqui (em Pequim), antes da final do último dia, já são 68 novas marcas olímpicas. Isto mostra o salto que foram estes Jogos para a natação. Aqui vivemos um evento divisor de águas", explica o supervisor técnico da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Ricardo de Moura.
Para o experiente Gustavo Borges, o intercâmbio com atletas e técnicos de outros países são importantes para a evolução da natação brasileira.
"Não acho que treinar fora seja a solução, mas conhecer novas técnicas e outras estruturas ajudam na hora da experiência", diz Gustavo.
Para os Jogos de Londres, em 2012, 80% da atual seleção brasileira ainda terá idade para competir. Até lá, muita tecnologia aparecerá, novos tempos serão batidos e muitos brasileiros continuarão mostrando as caras para a natação mundial. Que venha a Olimpíada de 2012!
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