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Pequim - Bruno Prada, proeiro do barco brasileiro da classe star, chegou à primeira edição de Jogos Olímpicos com 37 anos. E saiu dela com uma medalha.
"Ainda tô na frase está caindo a ficha", disse, na saída do píer.
Velejando com Robert Scheidt desde 2005, ele deixou uma posição confortável na classe finn para encarar a nova empreitada.
"Mas eu já corria de star há muito tempo. Velejo há 30 anos", destaca.
No fim das contas, o resultado foi excepcional, na opinião de Bruno.
"Nossa expectativa era ir embora com uma medalha, não dava para prever qual. Porque sabíamos que as condições de vento eram muito difíceis. E foram".
Felizmente, os ventos surgiram na reta final do torneio. Na véspera da medal race foi possível realizar as três regatas classificatórias restantes exatamente como Bruno torcia que acontecesse: com vento.
"Demos muita sorte no último dia. O campeonato começou com tudo errado. Mas acabou dando tudo certo", disse.
Entre as entrevistas, recebeu um telefone celular. Do outro lado da linha, era a mulher, Carla. Emocionado, tentou se conter. A comemoração à distância foi tímida e equilibrada. O desabafo depois, sincero:
"Assim é covardia. Querem me matar do coração." Momentos antes da entrevista coletiva, já agasalhado e com a medalha, repetiu. "Judiaram de mim naquela hora."
A ficha ainda não tinha caído. "Acho que só quando voltar pro Brasil. Quando for levar as crianças na escola. Esse tipo de coisa", disse.
Scheidt ainda brincou. "Nada. Tomamos uma cerveja hoje para comemorar que a ficha cai, você vai ver."
Palavra de um velejador quatro vezes medalhista olímpico para outro que estava em sua primeira edição dos Jogos. "De primeira o cara pegou uma medalha", continuou Scheidt. "É, mas levei um tempão pra conseguir chegar até aqui", devolveu Bruno.
Valeu a pena. Os últimos três anos ao lado de Scheidt recompensaram o velejador. "É muito tempo nisso. Fico mais com o alemão que com a minha família. Morro de saudade dos meus filhos (Giovanna, 7 anos, e Ricardo, 5). Mas agora vou descansar", conta. Os planos da dupla são ficar mais sossegados até o fim do ano. Boa recompensa. "Duro seria sair daqui sem medalha. Ser quarto, por exemplo", admite Scheidt. "E isso esteve muito perto de acontecer quando o polonês nos passou", lembra Prada. "Só espero que não seja um sonho e que eu acorde amanhã e tenha que disputar essa regata de novo.
Não precisará. Como o 'Alemão' fez questão de dizer para o companheiro, "agora é festa". Bruno concorda. "E pode avisar aí o pessoal do judô que não adianta eles comemorarem, não. A vela passou outra vez. Temos mais medalhas olímpicas!", provocou. Parece que a ficha caiu de vez.
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para os EUA : 3 a 1