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Pequim - Quando Arles de Oliverira, camisa amarela, chapéu e barba grande, começou sua frenética corrida pela pequena arquibancada do píer do Centro Olímpico de Vela de Qingdao, cidade-sede do esporte nos Jogos Olímpicos Pequim 2008, tremulando uma bandeira brasileira, recebeu uma salva de palmas digna de grandes campeões. Mas a vencedora, sua filha, estava no mar. Fernanda Oliveira e a parceira Isabel Swan venceram a medal race da categoria 470 feminino nesta segunda-feira. O triunfo deu a elas a medalha de bronze do torneio e um lugar no panteão dos atletas brasileiros: elas são as primeiras velejadoras brasileiras a ter uma medalha olímpica. "Foi uma regata emocionante, muito rápida. Era meia hora para darmos tudo que tínhamos. Partimos sem medo", disse Isabel na saída da água.
Partiram destemidas e chegaram a estar em condições de ficar com a prata. Mas o barco holandês de Marcelien de Koning e Lobke Berkhout se recuperou e chegou em quinto. As australianas Elise Rechichi e Tessa Parkinson cruzaram na nona colocação, mas a boa pontuação na fase de classificação deu a elas o primeiro lugar ainda assim. "Parece ouro para mim, porque trabalhamos demais. São três anos treinando juntas", continuou Isabel, dividindo-se entre diversos telefones celulares diferentes depois de sair do mar.
Foi carregada em triunfo, assim como a companheira Fernanda. Pai, mãe, irmã, noivo, todos emocionados com a gaúha. "Este é o choro mais maravilhoso que tem", disse a mãe, Suzana. Fernanda estava mais à vontade do que nos últimos dias. "Não queria dar muita entrevista antes, estava cabreira", admitiu. Pior ainda que, na véspera da prova, se machucou: "Saímos para dar um treino para o que imaginamos que seria a medal race e dei um jeito nas costas. Saí do mar às lágrimas. Costas de velejador sempre doem." Mas, durante a prova, nem se importou com nada: "A adrenalina corta tudo".
Já em terra, Fernanda lembrava do começo na vela, aos 11 anos: "Na hora ali passa um filme na sua cabeça." Ganhou um beijo do noivo, Diogo, com quem vai se casar em novembro. "Ele tinha feito um acordo comigo. Se eu ganhasse uma medalha nos Jogos Olímpicos, ele entraria na igreja com ela no peito. Fiz minha parte. Eu estaria linda, de vestido. Ele, não sei como vai fazer", riu. "Vou entrar com medalha mesmo", admitiu Diogo.
Relembrando a regata final, as duas contaram os momentos em que viram de perto a conquista. "No segundo contra-vento, quando ficamos bem próximas do barco de Israel e tivemos já uma boa distância das italianas", admitiu Fernanda. Para Isabel, a ficha demorou um pouco mais a cair. "Só no final que comecei a realizar. Antes disso, eu não queria me acomodar", explicou.
A caminho do exame antidoping, Isabel Swan relembrava os momentos que antecederam a segunda-feira histórica: "Para dormir essa noite não foi fácil. Mas sonhei só coisa boa".
As informações são do COB
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para os EUA : 3 a 1