José Pedro da Silva, 38, morador de Cordovil, casado e com quatro filhos, vende balas em ônibus e arrecada cerca de R$20 por dia. Sai de casa às 7h da manhã e retorna às 8 da noite e almoça no Restaurante Popular da Central do Brasil desde a sua inauguração.
- Esses restaurantes que o governo do estado tem espalhados por aí ajuda a muita gente sofrida que só pode comer uma vez por dia, de segunda a sexta-feira, por causa desses restaurantes. Nos fins de semana passa fome.
Gervásio A Fontes, 72, rodoviário aposentado, morador de Belfort Roxo, trabalha como motorista de caminhão de mudanças para aumentar a renda.
- Já faz mais de três anos que almoço aqui no Restaurante Popular da Central do Brasil. A comida é barata, balanceada e de qualidade e ainda temos atenção das nutricionistas. Tenho até acompanhamento de meus exames de colesterol e glicose que faço todo mês. É o melhor programa social que conheço.
Reni Fernandes Marques, 69, costureira aposentada, com um salário mínimo, mora sozinha em Colho Neto, Zona Norte. Almoça no restaurante da Central todos os dias, há quatro anos.
-Ganho muito pouco, sou sozinha nesse mundo e freqüentando o restaurante já fiz um monte de amigos. Não posso comer muito sal e gordura e a comida aqui é ideal para quem tem problema de saúde e gasto apenas R$5 por semana.
Jorge Justino de Sá, 45, rodoviário licenciado pelo INPS, com doença renal, almoça no restaurante da Central do Brasil sempre que vem ao centro do Rio para fazer hemodiálise. Morador de Nova Iguaçu possui o vale-cidadão, do governo de estado e não paga passagem.
- Esse projeto do governo do estado alimenta muita gente que não teria condições de sobreviver um pouco melhor. Esse governo me ajuda duas vezes, pois me dá condição de andar de ônibus de graça para fazer meu tratamento e ainda me oferece uma boa comida por apenas R$1. É com a economia no almoço e nas passagens que compro meus remédios.
Luiz Gonzaga da Costa, 66, morador da região da Cruz Vermelha, não tem mais nenhum parente e vive sozinho. Sobrevive trabalhando como camelô e até pouco tempo não tinha sequer documento.
- Vir comer aqui é a única coisa boa que faço da vida. Hoje, se esse projeto não existisse, não sei o que faria.
Esses são alguns dos beneficiados pelo programa Restaurante Popular que desde o início das atividades do primeiro restaurante, o Betinho, na Central do Brasil, em novembro de 1999, já serviu 19,7 milhões de refeições. De lá para cá, o governo do estado já investiu R$ 44,7 milhões para manutenção das unidades. Com a inauguração da unidade de Barra Mansa, em 31 de agosto, já são nove os restaurantes em atividade, servindo 22.300 refeições por dia a R$ 1.
Em recente pesquisa nacional realizada pelo instituto Ibope, 97% das pessoas entrevistadas consideraram que a atividade dos restaurantes populares possibilita melhoria na qualidade de vida dos usuários.O dado mais impressionante da pesquisa é que 22% dos entrevistados informaram que a única alimentação que consomem durante todo o dia é a do restaurante popular.
Décima Unidade
Ainda este ano, entrará em atividade a décima unidade, o restaurante popular de Irajá, cujas obras estão sendo concluídas. Localizado ao lado do Ceasa, no mesmo local haverá mais uma unidade do Hotel Popular, voltado para os trabalhadores da Central de Abastecimento. O restaurante servirá 4.500 refeições/dia.
Também começam esta semana as obras dos restaurantes do Méier e de Madureira e até o fim do ano serão iniciadas obras dos restaurantes de Bonsucesso e de Campo Grande.Já as quatro novas unidades têm prazo previsto de oito meses para conclusão de cada obra. Com as cinco em funcionamento, serão ofertadas mais 16,5 mil pratos de comida, elevando para 38,8 mil refeições/dia.
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