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 Bento XVI
 
  
15/08/2008 01:38:00

Baleada ao vivo na TV

Jornalista leva um tiro no braço enquanto fazia transmissão em cidade da Geórgia, que acusa russos de violação do cessar-fogo

GORI (GEÓRGIA) - Dois dias após o anúncio de um cessar-fogo, georgianos continuam acusando russos de violarem a trégua, destruindo instalações militares e navais em vários pontos da Geórgia. O epicentro da tensão continua sendo Gori, cidade próxima à região separatista da Ossétia do Sul, onde há denúncias de saques e abusos. Numa prova de que o clima continua tenso no local, uma repórter de TV foi baleada enquanto estava no ar.

A jornalista da ‘Televisão Pública Georgiana’ Tamara Urushadze ficou ferida durante uma transmissão ao vivo, nos arredores de Gori, que está cercada por tropas russas. Os disparos foram ouvidos assim que a repórter afirmou que a situação começava a se estabilizar. Uma das balas atingiu a vítima no braço e ela soltou o microfone no chão.

Outros jornalistas cobriram Tamara com um colete a prova de balas e a levaram ao veículo da rede de televisão. Ela continuou transmitindo a reportagem, enquanto os colegas cuidavam do ferimento. Os disparos vinham das posições ocupadas pelas forças da região separatista da Ossétia do Sul, onde o Exército russo entrou para proteger os ossetas das tropas georgianas.

Segundo a Geórgia, pelo menos 130 veículos armados russos saíram da cidade georgiana de Zugdidi. Instalações militares e navais no principal porto comercial georgiano, o de Poti, também teriam sido atacadas.

De acordo com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, o exército russo controla “um terço” da Geórgia, onde está acompanhado por “milhares e milhares de soldados em situação irregular” que saqueiam e violam a população civil.

Relação dos EUA com a Rússia revista

Os EUA acusaram a Rússia ontem de usar suas ações militares para punir a Geórgia por aliar-se ao Ocidente e, apesar de descartarem uma nova Guerra Fria, disseram que o governo russo poderia enfrentar graves conseqüências no futuro.

A afirmação partiu do secretário americano de Defesa, Robert Gates, que descartou a possibilidade de seu país agir militarmente, mas disse que o Pentágono reavaliaria sua relação com as Forças Armadas russas.
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