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5/7/2008 00:44:00

Ex-refém diz que deve sua vida à França

Em Paris, Ingrid elogia atuação do país no combate à guerrilha das Farc

PARIS - Dois dias depois de resgatada das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Ingrid Betancourt chegou ontem a Paris. “Devo minha vida à França”, disse, ainda no avião que vinha de Bogotá, na Colômbia.

A franco-colombiana foi recebida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pela primeira-dama, Carla Bruni, no aeroporto de Villacoublay. “Sonho há sete anos em viver este momento. É um momento muito, muito emocionante para mim: respirar o ar da França, estar com vocês”, declarou Ingrid Betancourt, muito emocionada, em sua primeira declaração em solo francês.

Ela disse também que “chorou muito” nos anos de cativeiro, mas que, agora, “chorava de alegria”. Sarkozy afirmou que “toda a França está feliz”. “A França foi meu apoio não somente moral como também por seu peso, por ter recusado qualquer operação militar e impedido o governo colombiano de lançar operações militares para libertar reféns pela força”, disse ela.

Ingrid voltou a ser evasiva sobre a possibilidade de voltar à política. “Por enquanto, eu me vejo longe dela. Mas continuo tendo vontade de servir os colombianos”, disse. Ingrid pediu a Sarkozy e aos comitês mobilizados para conseguir sua liberdade que continuem lutando pelos reféns das Farc.

Ela também disse ontem que gostaria de terminar seus dias em Paris. A declaração foi feita diante de milhares de pessoas, instantes antes de ela retirar um enorme cartaz com sua foto da fachada da Prefeitura da cidade, que desde 2005 contava os dias que a ex-candidata à Presidência da Colômbia esteve seqüestrada nas selvas colombianas.

Antes de embarcar para a França, ela contou em entrevista que permaneceu acorrentada 24 horas por dia durante três anos. “Tentava carregar as correntes e viver com dignidade, mas às vezes me dava conta de que era insuportável”, disse à imprensa.

RÁDIO DIZ QUE RESGATE CUSTOU US$ 20 MILHÕES

O Ministério Colombiano da Defesa divulgou ontem imagens do resgate de Ingrid, três militares americanos e 11 colombianos, na quarta-feira. O vídeo, de três minutos, foi apresentado pelo ministro Juan Manuel Santos em entrevista em Bogotá. A divulgação ocorreu no mesmo dia em que uma rádio suíça levantou dúvidas sobre a autenticidade da operação e insinuou que o governo colombiano teria pago US$ 20 milhões pela soltura dos reféns. “Isso é absolutamente falso”, disse o ministro.

Na gravação — feita pelos militares infiltrados na guerrilha e que se faziam passar por membros de organização humanitária em missão para transportar os reféns de um lugar a outro na selva — os prisioneiros são vistos a caminho de helicóptero. A gravação também mostra guerrilheiros com fuzis e uniformes camuflados em meio a campo de folhas de coca, onde pousou a aeronave. Eles ficaram em terra logo após os prisioneiros entrarem a bordo, com dois rebeldes.

Ingrid negou que a operação militar do Exército Colombiano tenha sido “encenação”, durante entrevista à imprensa, horas depois de sua chegada à capital francesa, ontem. “Francamente, não creio que possam me enganar facilmente. Não creio que tenha sido uma encenação. Havia tensão, e muito estresse”, acrescentou.

Segundo o governo, os militares infiltrados nas Farc convenceram os guerrilheiros a reunir o grupo de 15 reféns e embarcá-los em helicópteros para um suposto encontro com o líder máximo da organização, Alfonso Cano. As aeronaves, porém, eram do Exército da Colômbia e, já a bordo, a dupla que acompanhava os reféns recebeu voz de prisão e as vítimas foram levadas a Bogotá.
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