João Ricardo Gonçalves
O ritmo do batidão pode desacelerar de acordo com o continente, mas a polêmica de músicas que fazem apologia à violência e hostilidade à polícia não é exclusividade dos proibidões cariocas. Traficantes da América Latina, bandidos norte-americanos e, mais recentemente, imigrantes árabes descontentes com o governo da França são personagens comuns em músicas estrangeiras.
O estilo musical constantemente mais associado aos ‘proibidões’ é o gangsta rap americano, que, apesar de decadente, rende milhões de dólares a grandes gravadoras, através de estrelas como o rapper 50 Cent. Ele é apontado como o artista que, em 2003, resgatou o estilo com letras violentas, palavrões e vulgarização da mulher.
Imigrantes na França, que constantemente têm entrado em confronto com a polícia em protestos, têm se mostrado influenciados pelos ‘gangstas’ americanos, na maneira de se vestir e na própria música.
Os versos mostram revolta contra a polícia e com o governo francês. Na música ‘La France’, o rapper Mr. R. canta: “A França é uma p(...). Não se esqueça de comê-la à exaustão. Meus negros e meus árabes, nosso playground é a rua e nossas armas, os brinquedos!”.
Em países como Colômbia e México, as batidas do hip-hop dão lugar à polca e até a ritmos que lembram músicas sertanejas brasileiras. São os chamados ‘corridos’, ou ‘narcocorridos’, que contam as façanhas de traficantes e chegaram a ser proibidos no México.
O ritmo existe desde a década de 20, mas ganhou força a partir dos anos 70. A linguagem é sem palavrões e mais suave que a do gangsta rap, mas o conteúdo também fala de tráfico de drogas e armas, além de outros assuntos, como o drama de imigrantes ilegais. “O ritmo só parece com o gangsta rap quando se refere a drogas e criminosos e transforma-os em heróis”, diz o escritor americano Elijah Wald, autor de um livro que conta histórias e explica particularidades do gênero.
Mesmo sem palavrões, o ritmo continua na mira de autoridades. Rádios do estado da Baixa Califórnia, no México, assinaram este ano acordo comprometendo-se a não mais executarem os narcocorridos.