São Paulo - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, voltou a rejeitar nesta terça-feira a proposta da União Européia (UE) de alcançar uma trégua na Faixa de Gaza enquanto o presidente de Israel, Shimon Peres, disse que "a Europa tem que abrir os olhos".
Olmert comunicou hoje a recusa em seu escritório de Jerusalém à delegação da UE liderada pelo ministro de Exteriores checo, Karen Schwarzenberg, que chegou ontem a Israel para tentar conseguir o fim das hostilidades na Faixa de Gaza.
"Olhem onde estão disparando, já alcançaram Gedera", disse Olmert, em referência a uma localidade situada a 40 km de Gaza onde chegou hoje, pela primeira vez, um foguete palestino, que provocou ferimentos leves em um bebê, segundo o site do jornal israelense "Yedioth Ahronoth".
"Antes da trégua disparavam a uma distância de 20 km, agora chegam até 40 km. Se houver outra trégua, alcançarão 60 km ou mais", disse o chefe do governo israelense.
Olmert acrescentou que "respeita" as Nações Unidas e suas instituições, mas rejeitou suas chamadas a um cessar-fogo e se mostrou partidário da iniciativa promovida pela Administração americana de "colocar uma manta internacional sobre o fogo em Gaza".
Segundo o primeiro-ministro, o mais importante neste momento é "frear o contrabando de armas" a partir do Egito por túneis subterrâneos "e o fortalecimento do Hamas".
"Já fizemos gestos suficientes, agora exigimos uma ação que traga segurança aos residentes do sul de Israel", acrescentou.
Peres também recebeu esta manhã a delegação européia, que também é integrada pela comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, e dois ministros de Exteriores, o sueco Carl Bildt e o francês Bernard Kouchner, a que disse que "Europa deve abrir os olhos a respeito da luta em Gaza".
"Nenhum país europeu toleraria fogo de foguetes sobre seus cidadãos, e devem entender que o Hamas é uma organização terrorista da pior ordem", disse Peres, em comunicado divulgado por seu escritório após a reunião.
Segundo o chefe do Estado, Israel "não está no negócio das relações públicas nem tentando melhorar sua imagem", mas "lutando contra o terrorismo" e exercendo seu direito de defender seus cidadãos.
EFE