
Brasília - O Itamaraty contatou representantes do Crescente Vermelho - entidade humanitária que presta socorro às vítimas de guerra - para buscar informações do paradeiro de brasileiros na Faixa de Gaza. Há dois dias não há qualquer notícia de José Aziz e Tayssir Aziz, que estavam no campo de refugiados de Jabalyia. O endereço informado por eles no último contato será investigado pelos agentes humanitários.
"Ficamos apreensivos porque não conseguimos contatá-los", relatou Rosimar Suzano, subchefe do Escritório de Representação do Brasil em Ramalah, na Cisjordânia, onde fica o QG da diplomacia tupiniquim que acompanha a situação das famílias brasileiras na Faixa de Gaza. Hoje (6), Rosimar foi à Israel buscar o apoio das equipes de campo para localizar o grupo.
Via celular, e com um sinal ruim, Rosimar conversou com Terra Magazine. "O que consegui hoje, e que é uma coisa valiosíssima, é o compromisso de um representante do Crescente Vermelho que vai tentar localizá-los na região dos conflitos", disse. "Mas já fui avisada de que a situação é crítica no terreno, porque na maioria dos locais não há sequer possibilidade de movimentação de ambulâncias".
"Desde o último sábado, o nível de alarme piorou na Faixa de Gaza. As regiões bombardeadas por Israel estão ficando sem energia elétrica. A maioria por ataques aéreos semelhantes aos que ocorreram por ocasião da Segunda Intifada (revolta dos palestinos em 2000)", descreveu a diplomata brasileira.
No último contato, José e Tayssir relataram que estavam bem. "Não estavam em situação de desespero, mas já tinham sinalizado que a bateria do celular - a única ligação deles com o exterior - estava acabando. E não havia energia para recarregar o aparelho. Mas no último contato eles dizem que se sentiam relativamente seguros", explicou Rosimar.
A embaixada possui registros oficiais de três famílias de brasileiros na Faixa de Gaza. Existe a possibilidade de existirem outros brasileiros na região, mas, segundo o Itamaraty, não seria um número grande. "Seria diferente na Cisjordânia, por exemplo, onde temos uma grande comunidade brasileira", disse.
Com a família de outro brasileiro, Abir Duwek, a diplomacia brasileira mantém contato constante por telefone e eles informam que estão bem na região de Rafah, embora também sem a possibilidade de deixar a região.
Os brasileiros na Faixa de Gaza estão isolados desde o final de dezembro. A remoção do grupo foi dificultada porque os brasileiros têm famílias com cidadãos palestinos e também porque a fronteira estava fechada.
A Faixa de Gaza, situada entre o Egito e Israel, é uma das regiões mais povoadas do Oriente Médio. O território possui cerca de 360 quilômetros quadrados - pouco maior que a cidade paulista de Guarulhos - e abriga 1,5 milhão de pessoas.
As tropas de Israel atacam a Faixa de Gaza numa escalada contra a ação do Hamas, grupo armado que luta pela criação do Estado Palestino.
As informações são de Aloisio Minai, do Terra Magazine