NOVA IORQUE - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) revelou ontem que, só este ano, 65 navios foram capturados em águas somalis, e o lucro dos piratas com resgates pode chegar a US$ 30 milhões. A ONU autorizou países a “usarem tudo o que for necessário, incluindo ações militares” para manter a ordem e repreender” os piratas. A resolução, assinada em junho, é válida até 1º de dezembro.
Ontem, países árabes com saída para o Mar Vermelho convocaram reunião no Egito para acertar medidas contra ações dos piratas.
A ONU também aprovou resolução que impõe novas sanções a pessoas e entidades vinculadas aos piratas. O objetivo é fortalecer o governo de transição somali e enfraquecer os grupos armados.
O texto autoriza a criação de um grupo de especialistas para identificar os que tiverem ligações com pirataria e grupos armados. As pessoas identificadas, além de sofrerem sanções financeiras, não terão direito a viajar para fora da Somália. A ONU estuda a possibilidade de enviar uma missão à Somália para proteger o processo de paz e facilitar a distribuição de ajuda. Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), os piratas somalis mantêm 18 navios e mais de 300 marinheiros seqüestrados.
Resgate é de US$ 25 milhões
Os piratas somalis que seqüestraram no fim de semana passado o petroleiro saudita “Sirius Star” anunciaram ontem que exigem o pagamento de um resgate de 25 milhões de dólares para liberar navio e tripulação. O pirata Mohamed Said disse que os sauditas têm dez dias para cumprir a exigência. “Não queremos negociações que se eternizem para solucionar este assunto. Caso contrário, agiremos de forma que pode ser desastrosa”, afirmou.
Os piratas capturaram o petroleiro carregado com dois milhões de barris de combustível, avaliados em 100 milhões de dólares. O navio está ancorado desde terça-feira no porto somali de Harardere. Ameaça semelhante foi anunciada no dia 10 pelos piratas somalis que capturaram, há quatro semanas, o cargueiro ucraniano “Faina”. Eles disseram que explodiriam o navio se não recebessem os US$ 20 milhões que exigiam para liberá-lo. O navio continua em poder dos seqüestradores.
A Somália é um país sem lei e que vive abaixo da miséria. O dinheiro dos resgates é supostamente aplicado em melhorias para a população.