São Paulo - “Papai, por que você não quer me levar daqui? Você não me ama?” , perguntou certa vez Aeihm Khalil, 9 anos, ao palestino Hossam Khalil, 3, pelo telefone. O menino mora na Faixa de Gaza com a mãe. Já o pai há um ano conseguiu deixar um campo de refugiados na fronteira da Jordânia com o Iraque para morar em Mogi das Cruzes, São Paulo. Hossam está desesperado: desde que a guerra começou, perdeu o contato com a família pelo telefone e pela Internet. “Não sei se meu filho está vivo em Gaza. Não sei nada. Se ele morrer, não posso fazer nada”, desabafou.
Desde que chegou ao Brasil, ele tenta tirar o filho e a mãe do menino de Gaza. Ele já pediu ajuda ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mas ainda não conseguiu.
O Acnur informou que o governo brasileiro já autorizou a vinda dos parentes de Hossam ao Brasil. Para obter o visto, mãe e filho teriam de chegar até a embaixada brasileira no Cairo, Egito. Mas o Acnur explica que eles não conseguiram entrar no Egito em razão do bloqueio israelense a Gaza.
Nascido em Gaza, Hossam testemunhou vários episódios de violência. Também viveu no Iraque, de onde migrou para o campo de refugiados. A ONU o enviou ao Brasil com o pai e a atual esposa, com que tem dois filhos, de 5 meses e de 1 ano.
Junto com outros 46 palestinos que vivem atualmente em Mogi das Cruzes, Hossam reza pela paz numa mesquita da cidade.