Deputado federal pelo PSOL-RJ
Rio - “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” é o maior mandamento do cristianismo. São João foi ainda mais direto: “aquele que ama conhece a Deus”. Portanto, o que dá sentido à vida dos crentes é a sua relação de amor, de respeito e de solidariedade com os outros.
Um ser humano que estupra uma criança comete um crime hediondo. Na linguagem bíblica, quem faz isso “não deveria nem ter nascido”. Uma menina de 9 anos e pouco mais de 30 quilos não suportaria, psicológica e fisicamente, uma gravidez indesejada, até inconsciente, derivada de tamanha barbaridade. Precisava ter sua vida salva e necessita de absoluto apoio agora, para superar o terrível trauma.
O barulho feito por um chefe religioso parece não querer assegurar isso. Jesus chegou a expulsar os vendilhões do templo, que faziam da fé do povo um negócio, mas jamais “excomungou” ninguém. Acolheu, para ódio dos fariseus hipócritas, a mulher adúltera e todos os enjeitados. Também agiu contra a “lei”, curando no sábado, dia santo judeu: "o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado".
Quem coloca o Direito Canônico acima da Lei Maior, que é a do Amor, valoriza mais o código de uma instituição humana e falível do que o sentido profundo da Boa Nova, a opção de carinho pelos mais fracos e construção de um Reino de Justiça e Paz.
Excomunhão significa ficar proibido de receber os sacramentos, como os da eucaristia, da confissão e do matrimônio. O estuprador não sofreu punição, mas os profissionais de saúde que realizaram o procedimento e a sofrida mãe são condenados. Leigo e irmão menor, ouso dizer que Deus, que é justo e misericordioso, não abençoa essa excomunhão.
