Dentista e presidente da Turma do Bem
Rio - Mais da metade da população mundial vive com menos de dois dólares por dia. A pobreza condena a uma série de carências — de saneamento básico, educação, condições dignas de sobrevivência e até comida. Diante disso, ou você permanece chocado com a realidade ou faz ações para mudar a situação.
No Brasil, onde as diferenças sociais são gritantes, a falta de dentes é um dos maiores sintomas da pobreza. Assim como os graves problemas odontológicos, ela condena cidadãos à marginalidade. Há milhares de pessoas que não conseguem emprego e encontram dificuldades para se relacionar com outras pessoas no dia-a-dia porque têm sua auto-estima muito abalada.
Por tudo isso, tenho o sonho de que os 220 mil dentistas do Brasil façam parte de uma grande rede de voluntários que atendam gratuitamente crianças de baixa renda, com grave condição bucal, necessidades que o serviço público não supre. Hoje. a ONG Turma do Bem tem uma rede formada por mais de 4.000 dentistas em todo o País. Ela atende 6.500 jovens.
São meninos e meninas que têm suas vidas transformadas após receberem tratamento odontológico que lhes resgata dignidade e condições para a inserção na sociedade. Para realizar o sonho dessas crianças, é preciso que outros dentistas entendam seu papel nessa sociedade que discrimina quem não tem dentes. O Projeto Dentista do Bem está em mais de 400 cidades e ainda há muito a ser feito. A valorização dos profissionais de Odontologia passa pela responsabilidade social.
Temos como valor fazer pelos outros o que faríamos por nossos filhos e apelamos aos dentistas, pois será com nossa atuação que mudaremos a percepção da sociedade na questão da saúde bucal. Nunca duvide que cidadãos atentos e comprometidos possam mudar o mundo. É o que sempre ocorreu.
