Rio - O maior fantasma do ano não apareceu só para os brasileiros, acostumados às práticas de exorcismo. Começou nos Estados Unidos, com fraudes em balanços de grandes empresas aparentemente bem administradas. Crise hipotecária, prejuízos bancários que levaram o mundo a temer a repetição do crack de 1929, desta vez agravado pelas despesas com guerras. Tudo no nível do bilhão. Falências monumentais e subsídios protetores da sua agricultura para inviabilizar a exportação dos países com menos possibilidades. O consumo de alimentos foi “descoberto” por milhões de pessoas na China, Índia e Brasil.
Quem aparece nessas horas? O fantasma irradiado se materializa nesses países, manipulado pelos aproveitadores de sempre. Como a Argentina reduziu as exportações de trigo por problemas internos, justificou-se a alta nos preços de inúmeros derivados de farinha de trigo. Lula, esta semana, teve garantia de que, em breve, a situação se normalizará. Alguém acredita que os preços voltarão aos níveis anteriores?
Já somos auto-suficientes em petróleo, e a Petrobras não precisa acompanhar os preços internacionais. Mas os usineiros vão aumentar o preço do álcool. E o governo, por ser ano eleitoral, não aumentou a gasolina.
Preferiu aumentar o preço do diesel, usado por todos os caminhões que transportam tudo que se destina aos consumidores: da gasolina e álcool ao próprio diesel para abastecer outros caminhões. Fatalmente, o custo desse frete vai recair no nosso bolso. Esse é o fantasma da inflação.
Um outro fantasma apareceu em 1950, travestido de ítalodescendente e fez um estrago maior do que este de quarta-feira caracterizado de afrodescendente. Gighia e Guerrón baixaram no Maracanã.