Rio - Por favor, senhores estatísticos, não incluam na alarmante contagem de óbitos em motocicleta o caso do nosso colega André Az. Ele foi vítima de latrocínio, outro item crescente da violência urbana. Não fazia ultrapassagens arriscadas, não disputava corrida com ninguém e nem trafegava pela contramão. Ao passar por território “dominado”, foi perseguido por moto com o carona armado. Queriam o veículo do repórter-fotográfico.
O impacto dos tiros foi tão violento que ele voou, sem moto, para a pista contrária para ser atropelado. A cena foi de tal violência que os ladrões deixaram a moto e fugiram, mas apareceram transformados em cinza em carro abandonado. Os chefões do crime julgaram e condenaram. É freqüente esse tipo de julgamento, já que crimes de repercussão atraem jornalistas, radialistas e equipes de TV, o que atrapalha a rotina do crime em alto nível.
Esta semana, uma falha operacional do que seria um latrocínio cruel cortou pela raiz todas as especulações que fatalmente se seguiriam ao desaparecimento de um casal de namorados, ambos com mais de 30 anos, profissionais realizados. O sumiço seria um “pacto de morte?” E daí em diante. Simplesmente, o casal fora seqüestrado ao sair de um restaurante na Lagoa.
Os ladrões rodaram por Ipanema e Leblon. Recolheram dinheiro, cartões, jóias relógios e celulares. Na Avenida Niemeyer, mandaram o casal descer. Os dois foram empurrados do alto do costão. Por sorte, galhos de uma árvore salvaram um, e as pedras irregulares do penhasco, outro.
Os bandidos levaram o Audi. Os chefões da Rocinha não gostaram e os bandidos levaram uma surra com barras de ferro. A polícia soube em que hospitais estavam. Foram presos, o casal os reconheceu, recuperou jóias, cartões, etc. O Audi estava estacionado na Rocinha. O crime não perdoa o fracasso.