Jornalista, professor e especialista em mídia e educação
Rio - A escola não é o único espaço de informação, conhecimento e aprendizagem. Pelo contrário, aprendemos em todos os lugares e a todo tempo. Mas, mesmo assim, ela tem um papel indispensável à medida que organiza, contextualiza e analisa tudo o que acontece no dia-a-dia de seus alunos, contribuindo, desta forma, para a constituição de pessoas autônomas, críticas e cidadãs.
A afirmação acima, com a qual eu e vários educadores concordam, está muito bem explicitada no filme Quem quer ser Milionário?, de Danny Bole e Loveleen Tandan, vencedor do Oscar de melhor filme. O longa, uma co-produção inglesa e americana, conta a história do jovem Jamal Malik, de 18 anos. Membro de uma família pobre de Mumbai, cidade da Índia, Jamal resolve participar de um programa de perguntas e respostas na televisão.
Para surpresa de todos, o garoto acerta várias questões. A um passo de responder a última e conquistar o prêmio de 20 milhões de rúpias, o rapaz é preso e interrogado pela polícia local. Afinal, como um jovem pobre e analfabeto pode ter tantos conhecimentos?
O que se segue é um enredo comovente, no qual Jamal Malik conta sua própria história de vida, mostrando – às vezes de forma sofrida, alegre ou inusitada – o quanto aprendemos a cada dia, em qualquer lugar, tempo e sob as mais adversas condições. O filme mostra, portanto, o quanto aprendemos dentro e fora da escola, vivência rica e valiosa.
E mais, do que isso: mostra o quanto a escola pode ser determinante, sim, na organização de toda essa vivência para a constituição de uma pessoa melhor.
O Oscar de melhor filme foi merecido.
