Rio - Em Pernambuco, uma criança de 9 anos foi estuprada pelo padrasto. Ficou grávida de gêmeos. O rapaz confessou o crime. Segundo a polícia, há três anos mantinha relações sexuais com a menina. A legislação brasileira autoriza a interrupção da gravidez em caso de estupro. Independentemente do respaldo legal, o aborto seria recomendado do ponto de vista médico, já que a menina não podia levar a termo a dupla gestação.
Portanto, amparada pela lei e pela medicina, foi submetida a aborto. O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou todos os envolvidos no caso, menos o padrasto. O criminoso foi o único absolvido pela Igreja Católica.
Excomunhão não parece ser coisa séria. Afinal, o Papa Bento XVI revogou a excomunhão do bispo inglês Richard Williamson, que afirma que os nazistas não cometeram o genocídio de judeus. Essa mesma igreja combate o uso de preservativos, preferindo que jovens contraiam AIDS e DST.
A Igreja diz defender a vida. É hipocrisia. Ela só defende seus dogmas. Se fosse verdade, defenderia a vida da menina, que corria risco. Os gêmeos têm direito à vida? E quem seria responsável por eles até a maioridade? Só um alienado supõe que uma criança de 9 anos pode criar dois filhos sozinha. Quem daria apoio afetivo e material pelos próximos 18 anos? A mãe e a família, omissas até hoje? O arcebispo? O bolsa-família?
O bispo afirmou que “aborto é mais grave que estupro”. Lembrou Paulo Maluf defendendo bandidos: “estupra, mas não mata”. Dom José disse isso porque não foi estuprado dos 6 aos 9 anos. Sua declaração é ato de violência contra as mulheres. A menina foi violentada novamente. Desta vez, pelas palavras inconseqüentes do religioso. O Vaticano e a CNBB apoiaram o bispo, em vez de apoiar a vítima. É para isso que serve a Igreja?