Autor de novelas
Rio - Sábado, fui a uma festa no Leblon. Estacionei na rua. Surgiu um rapaz cobrando para tomar conta do carro. Tive que pagar para ele não danificá-lo ou me dar uma facada. Reina a impunidade. Flanelinha não é profissão. É atividade de meliante. Essa é uma das faces da desordem urbana que envolve as vagas de estacionamento. Outra são as empresas que controlam o serviço. São flanelinhas legalizados, com aval da prefeitura.
Por que o carioca é tratado com tanta falta de respeito? O prefeito, o Sindicato dos Guardadores de Automóveis, o Tribunal de Contas do Município e a Embrapark trocam acusações, mas nada é resolvido. Tudo indica que a solução será adiada para o próximo governo. Até lá, impera a lei do vale-tudo. E o maior prejudicado é o cidadão.
A rua é de todos. Por que cobram para estacionar? Já paga mos IPVA e IPTU para a conservação do espaço urbano. Mas cada vez que paramos o carro somos achacados por flanelinhas ou guardadores oficiais. Pagamos a taxa imposta, mas não temos direitos. Se o veículo sumir ou algo for furtado, ninguém tem responsabilidade. Se nosso patrimônio não tem garantia, por que temos que pagar? O que ganhamos? Nada.
Mas as empresas envolvidas e o governo lucram. O objetivo deles não é disputar quem presta o melhor serviço, mas quem fatura mais às nossas custas. Tanto os flanelinhas quanto as empresas formam uma máfia, protegida pela polícia e pelas autoridades. O cidadão é vítima de extorsão e descaso.
Há soluções. A prefeitura pode vender tíquetes de estacionamento em bancas de jornal ou usar parquímetros. A Guarda Municipal fiscalizaria e multaria os infratores. Mas o governo prefere afundar na incompetência, falta de planejamento e corrupção. A crise atual é ótima oportunidade para mudar o esquema.
