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  11/7/2007 01:18:00

O Rio todo se embala na festa do Pan

Cariocas já não escondem a paixão pelo megaevento, que se incorporou ao dia-a-dia nas ruas, bares e até igrejas

Josie Jerônimo e Madalena Romeo

Rio - O verde-amarelo da torcida canarinho da Copa do Mundo ganhou um toque azul e laranja para o Pan-Americano. Às vésperas dos Jogos, o Rio se enfeita para receber atletas, turistas e torcedores. O mascote do Pan, o solzinho Cauê, é figurinha fácil em escolas, bares e restaurantes. A chama do Pan brilha também nas igrejas. Os fiéis do grupo Metodista do Jardim Botânico homenagearam os competidores com uma faixa. “Estamos orando pelos atletas do Pan”, estampa o adereço com os pássaros símbolos dos Jogos na fachada do templo.

As mesas de bares que ficaram cheias no ano passado durante a Copa abrigarão agora torcedores de 41 modalidades. Um chope gelado entre um ace e outro da partida de tênis no telão, um petisco novo entre as apresentações de ginástica das concorrentes de Daiane dos Santos ou música com DJ para comemorar a vitória do Brasil no futebol. Os estabelecimentos da cidade têm programação especial para clientes que desejam festejar com os amigos as atuações do Brasil no Pan.

O presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes, Alexandre Sampaio, estima que o movimento durante o Pan vai aumentar 30% nos estabelecimentos próximos aos locais de competições e 20% na Zona Sul e na Barra. “Não contamos só com o aumento dos turistas, mas com o clima festivo que o Pan deve trazer”, prevê.

Os 14 estabelecimentos do Pólo Gastronômico da Tijuca terão decoração e cardápio especiais para o Pan, além das televisões sintonizadas nas competições. Os garçons também participaram do programa Rio Hospitaleiro para aprender noções de inglês e espanhol, além de cidadania e atendimento ao cliente. “Esperamos atrair principalmente quem for assistir aos jogos no Maracanã”, comenta Alfredo Albrecht, presidente do pólo do Baixo Tijuca.

Os bares são uma boa opção para quem não conseguiu ingressos. As amigas Tatiana Vitorino, 29 anos, Janaína Amaral, 31, Bianca Lucas, 28, Alessandra Pimentel, 27, e Débora Correia, 29, combinaram de se encontrar no Buxixo depois dos jogos da seleção de vôlei masculino. Tatiana e Débora conseguiram ingressos para ver o jogo, mas outras vão assistir no bar. “Depois nos encontramos para comemorar”, planeja Débora.

Jovens demais para freqüentar bares e ir sozinhos aos jogos, os alunos do Colégio São Paulo, em Ipanema, fecharam ontem parte da Vieira Souto para celebrar o Pan. Vestidos com símbolos das modalidades esportivas, 400 crianças cantaram música em homenagem aos jogos e fizeram performances simulando competição de ginástica artística com a supervisão da ex-ginasta Luísa Parente. Pela manhã, 10 alunos esculpiram um Cauê de oito metros nas areias do Arpoador.

PROMOÇÕES E ATRATIVOS

Atletas famosos e peculiaridades das modalidades esportivas inspiram bares e restaurantes no momento de batizar bebidas e novos pratos lançados especialmente para o Pan. Na Tijuca, cada estabelecimento terá um esporte como tema. O Buxixo ficará com o tênis. A partir da semana que vem, sua caipirinha se chamará Saretta, em homenagem ao tenista Flávio Saretta. A picanha na brasa ganha o nome de “Ace” (ponto direto de saque).

Já a Pizzaria Guanabara criou novos sabores em homenagem aos países competidores. No bar Calibrado, na Barra, quem consumir o Trio do Pan, um combinado com sanduíche, durante os jogos ganha outro para ser saboreado de quinta a domingo, no jantar.

A época é de promoções. A cadeia de bares Na Pressão oferecerá camisas exclusivas com os mais famosos pontos turísticos do Rio a quem consumir quatro chopes e pagar R$ 15.

Muita procura na Saara

O maior centro popular do Rio é invadido, aos poucos, pelo solzinho do Pan. Centenas de Cauês de pelúcia, plástico, papel e tecido são vendidos diariamente na Saara. Os lojistas contam que a prefeitura tem reprimido a pirataria, mas a distribuição dos produtos oficiais não tem atendido à procura dos torcedores.

"Pensei que aqui encontraria camisetas e um Cauê para o meu filho, mas só achei o chaveiro", reclamou Edilene Pantoga, 29 anos, que veio de Macapá (AP) para acompanhar os Jogos.

Gisele Santos Pereira, vendedora da única loja da Saara que tem os mascotes de pelúcia, conta que, mesmo com o preço salgado (entre R$ 40 e R$ 68), o produto sai muito.

“Chegou hoje e só temos no mostruário”, aponta para dois bonecos. As lojas que vendem toalhas com motivos dos Jogos também registram saída de pelo menos 10 peças por dia.

Na orla, ambulantes ainda tentam vender camisetas falsificadas com estampas dos pássaros do Pan.

ARGENTINOS NÃO POUPAM ELOGIOS

Tradicionais rivais no esporte, os ‘hermanos’ argentinos que vieram participar do Pan estão encantados com a estrutura montada para recebê-los. A delegação é só elogios aos ginásios e principalmente à Vila do Pan, onde estão hospedados. A convite do Comitê Olímpico da Argentina, O DIA visitou as instalações e registrou as primeiras imagens dos apartamentos ocupados.

Quartos espaçosos e bem arejados, sala, banheiro, cozinha e até varanda com vista para a Vila, sem contar a piscina exclusiva para a delegação, foram motivos de sobra para conquistar a simpatia e a admiração dos rivais.

“Estamos impressionadas com tanta beleza. Os apartamentos, a Vila, os ginásios, até a vista que temos da varanda dos quartos, é tudo mais lindo do que imaginávamos”, elogiaram as jogadoras da seleção feminina de handebol, Lucia Fernandez e Cynthia Basile.

Assim como as colegas de time, as atletas Decilio Magdalena e Mariana Sanguinetti também se disseram apaixonadas pela estrutura do Pan. “Está tudo perfeito”, disse Decilio.

Chefe da equipe, Eduardo Moyano também aprovou o esquema de segurança. “Além de confortáveis, meus atletas estão se sentindo seguros aqui”, destacou Moyano. Formada por 672 pessoas, a delegação argentina está instalada nos prédios 11 e 12 da Vila do Pan.

Sucesso entre os atletas, as instalações também estão sendo elogiadas pelos principais jornais argentinos, ‘El Clarín’ e ‘La Nación’. “El refugio de las ilusiones” (O refúgio das ilusões), foi o título de reportagem publicada ontem no La Nación, que fazia referência às modernas instalações da Vila. (Mahomed Saigg)

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