Dácio Malta
Rio - O maior confronto eleitoral que o País já assistiu foi em 1989, quando Collor e Lula foram para o 2º turno. Hostilidades nas ruas surgiam de parte a parte, mas nada parecido com o que ocorreu na madrugada de ontem, no bar Jobi, no Leblon, um dos redutos da boemia carioca.
Um bate-boca entre lulistas e alckmistas acabou com uma mulher perdendo parte de um dedo, vítima de uma mordida dada por outra mulher, que ficou com o rosto marcado por unhadas.
Quem provocou o conflito é confuso, até mesmo porque a que levou as unhadas, a jornalista Ana Cristina de Castro, 39 anos, foi dar queixa na 14ª DP e se declarou vítima. Já a que perdeu parte do anelar esquerdo foi para o hospital, levando a parte amputada dentro de um saco de gelo: ao Cardiotrauma de Ipanema e, depois ao São Lucas, em Copacabana.
A confusão começou por volta de uma e meia da madrugada quando dois casais chegaram ao Jobi vestidos com a camiseta ‘Lula Sim’’. Sentaram-se do lado de fora e cantaram jingles da campanha. De dentro do bar, surgiram vaias e xingamentos de “mensaleiros, ladrões e corruptos”.
Até que uma das lulistas, a publicitária Danielle Tristão, 38 anos, foi ao banheiro e recusou um panfleto pró-Alckmin. Aí começou o bate-boca. Uma terceira pessoa resolveu tirar o boné da petista, deixando-a ainda mais irritada. Danielle foi levada para fora pelo marido, Juarez Brito e, segundo ele, foi aí que duas mulheres começaram a agredi-la. Ana Cristina tem outra versão: diz que foi atrás de Danielle pois ela lhe deu um tapa. E a mordida foi para se defender das unhadas que recebia.
É claro que o teor alcóolico dos personagens envolvidos deve ter contribuído para o sururu na zona do Jobi. O pequeno tamanho das veias impediu o reinplante. Um cirurgião disse não ter visto cena parecida com humanos: “Só mesmo com pitbull, já que parte do osso foi retirada”.
Não é possível que a selvageria tome conta das ruas, impedindo que partidários dos dois candidatos freqüentem bares com camisas, bonés e bandeiras, de quem quer que seja.
Hoje faltam 12 dias para se chegar ao 2º turno, e não tem a menor graça, independentemente do resultado das urnas, que a disputa seja estendida para um 3º e interminável turno.