27/10/2008 01:21:00

O início da despedida

Cesar visita Cidade da Música e a compara ao Taj Mahal, na Índia

Rio - Antes de votar em Fernando Gabeira (PV), o prefeito Cesar Maia fez questão de visitar ontem a sua obra mais polêmica em 12 anos de administração: a Cidade da Música, na Barra, que já custou mais de R$ 500 milhões e está prevista para ser inaugurada no início de dezembro. As críticas durante a campanha não intimidaram Cesar, que chegou a comparar a construção a monumentos históricos como o mausoléu Taj Mahal, na Índia e o templo Partenon, na Grécia.

“Vim aqui para dar simbologia ao meu mandato. Quando as pessoas olham para as próximas eleições, veêm as críticas. Quando olham para as próximas gerações, veêm os aplausos. Em dois anos, este vai ser um espaço integrador da juventude”, defendeu o prefeito que revelou a frustração de não ter implementado o museu Guggenheim.

Cesar visitou os 110 mil m² do terreno ao lado de defensores da obra: o vereador eleito Eider Dantas; o secretário estadual de Obras, Rodrigo Dantas; e o deputado federal, Rodrigo Maia, filho de Cesar. “Na época da Linha Amarela foi a mesma coisa. Me chamaram de tudo na época da construção”, defendeu Eider, nomeado diretor-presidente da empresa Riocentro S/A, que administrará a Cidade da Música.

Viagens à Turquia e ao Uzbequistão

O longínquo Uzbequistão — ex-república soviética da Ásia — será o próximo destino de Cesar Maia. Ele embarca para o país no dia 30 a convite do governo local e só retorna em 8 de dezembro. O prefeito também visitará a Turquia. “Não sei se será a última viagem oficial. Se o prefeito de Buenos Aires me chamar, por exemplo, eu posso ir”, brincou.

Para o ano que vem, mais planos de viagem. Cesar anunciou que comprou um Europasse e que andará “sem destino” pela Europa. Quando retornar, o prefeito promete abrir um escritório político na Barra da Tijuca e transformar o seu ex-blog em uma “newsletter” paga.

Cesar também reafirmou seus projetos futuros para a política. “Posso me candidatar a deputado estadual, governador ou senador em 2010. Só não posso a deputado federal porque meu filho já é”, disse, em referência a Rodrigo Maia. <MC>f

Alerta: crise econômica internacional

De manhã — ainda sem saber que o seu desafeto político Eduardo Paes seria eleito —, Cesar garantiu que será feita uma transição “do tamanho do Rio de Janeiro”: “Fiz um orçamento para o próximo prefeito ter flexibilidade. Além disso, ofereci a parte de cima do Planetário para as equipes de transição começarem a trabalhar”. Segundo ele, a prefeitura forneceu dados da administração para as duas campanhas.

Cesar, porém, alertou que o próximo prefeito terá um ano de 2009 difícil devido à crise internacional. Segundo o prefeito, o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) terá uma queda de arrecadação. Mesmo assim, garante que deixará dinheiro em caixa para os restos a pagar, salário do funcionalismo e programas sociais. Para reforçar o caixa no início do ano, prometeu dar 10% de desconto para quem pagar o IPTU à vista. f
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