Rio - Anunciado ontem por Eduardo Paes, o novo secretário de Saúde do Rio, o médico cardiologista Hans Dohmann, disse estar preparado para assumir em meio a uma epidemia de dengue. O segundo nome a integrar o primeiro escalão do prefeito eleito prometeu formar, em até 15 dias, o gabinete da dengue, com participação do ministério e da secretaria estadual de Saúde.
Mas, ao contrário do que prometeu Paes durante a campanha, o novo secretário já descartou a realização de exames de sangue e ampliação do horário de funcionamento em todos os postos de saúde — medidas de combate à doença garantidas pelo então candidato. “Existem questões administrativas extremamente complexas e não consigo ver isso logo de imediato”, justificou Dohmann. De acordo com o novo secretário, somente algumas unidades poderão diagnosticar a doença por exames laboratoriais e ficarão abertas até mais tarde para hidratação de doentes.
“Não temos os dados concretos, mas estamos preocupados. O verão deste ano já está com o destino traçado, há muito pouco, sob o ponto de vista preventivo, que miraculosamente possa ser feito. Vou conversar com o Jacob Kligerman (atual secretário municipal de Saúde) e entender como está o encaminhamento disso. A dengue é minha prioridade um”, explicou o médico, que colaborou na elaboração do programa de governo de Paes.
Hoje, ele se reúne com o secretário estadual de saúde Sérgio Côrtes, de quem é amigo pessoal e com quem deve ir, na semana que vem, ao Mato Grosso do Sul conhecer a experiência exitosa do estado no combate à doença. Até o final da semana, deve se encontrar também com o ministro José Gomes Temporão.
Uma das primeiras mudanças feitas por Paes, logo que assumir a prefeitura, será subordinar a Defesa Civil à Secretaria de Saúde, e não mais a de Governo, como é na gestão de Cesar Maia. Isso contribuiria no combate ao vetor da dengue.
Perfil de gestor e pesquisador
O novo secretário de Saúde do Rio se enquadra perfeitamente no ‘perfil técnico’ prometido por Paes durante a campanha, mas nem por isso é um nome desconhecido. Aos 43 anos, casado e pai de um filho, é diretor do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) e internacionalmente famoso por suas pesquisas com células-tronco para tratamento de doenças do coração. Fez doutorado na UFRJ e MBA em gestão na Coppead e no IBMEC.
Com forte experiência acadêmica, nunca foi filiado a nenhum partido mas há algum tempo transita no mundo político. Em 2005, foi chefe da divisão de Ensino e Pesquisa do Instituto Nacional de Traumato Ortopedia (INTO), quando a instituição era dirigida por Sérgio Côrtes, hoje secretário estadual de Saúde. Em 2006, Côrtes o nomeou superintendente de Atenção Especializada em Gestão Tecnológica da secretaria de Saúde. Em 2007, assumiu a direção do INC, onde já bateu, este mês, a meta anual de 1.300 cirurgias.
Amigos desde a adolescência, Côrtes e Dohmann ingressaram juntos na faculdade de Medicina Souza Marques, em 1982. Formado em 1990, Hans coordena o Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatia, maior pesquisa mundial no tema. Em parceria com a secretaria de Saúde do Estado, implantou um programa de atendimento a pacientes com suspeita de infarto, que reduziu pela metade a mortalidade por ataque cardíaco.
“Ele se preparou para ser gestor e, ao mesmo tempo, é um pesquisador nato. Tem os predicados certos para o cargo e vai ser fundamental na integração dos sistemas de saúde nas três esferas de poder”, avaliou Côrtes. “Foi uma excelente escolha. Ele fez um trabalho excepcional no Instituto”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que negou ter indicado Hans para a pasta.
CONTRATAÇÃO POR COOPERATIVAS É OPÇÃO
O prefeito eleito Eduardo Paes garantiu que o novo secretário de Saúde terá autonomia para designar diretores de hospitais e auxiliares. “É uma área que não terá contingenciamento, que não haverá corte de gastos. Ele terá todo respaldo e apoio para agir e tomar as medidas necessárias”, afirmou Paes, que reconhece na pasta da Saúde a “mais complexa e difícil”.
Em relação à construção de Unidades do Pronto-Atendimento (UPA), o novo secretário acha possível cumprir a construção de 40 unidades prometidas por Paes. Mas não adiantou como e nem em quanto tempo isso será feito.
O sofrimento da população à espera de atendimento nos hospitais da rede municipal ainda não tem data para acabar. Dohmann admitiu que a contratação de médicos não será feita de imediato devido à burocracia e às restrições orçamenárias: “Não dá para acertar tudo na primeira tacada. Neste primeiro momento, nossa prioridade é a atenção básica”, disse, reconhecendo que pode ser necessário fazer contratações por cooperativas. “Não é a solução ideal. Há um compromisso com a realização de concurso público, mas não teremos definição rápida”.
Na transição, será realizado levantamento de estoque de medicamentos e materiais hospitalares. Dohmann revelou que tentará comprar equipamentos para realização de exames de sangue durante a transição. Para ele, característica principal da nova gestão será a unificação dos sistemas de saúde federal, estadual e municipal.
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