Raio-x da Câmara
Rio têm a Câmara Municipal mais cara entre todas as capitais
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro é integrada por 50 vereadores. O orçamento para 2008 da Câmara do Rio de Janeiro é de R$ 298.412.193,00. Dividindo-se esse número pela quantidade de vereadores, atinge-se o montante de R$ 5.968.243,86. Isso é o que cada mandato de vereador custa aos cofres municipais, sendo o mais alto em comparação com todas as outras Câmaras de capitais brasileiras. Dividindo-se o total dos gastos com a Câmara pela população da cidade, o número resulta em R$ 48,97. Esse é o montante com que cada carioca arca anualmente para manter a sua Casa Legislativa.
A ONG "Transparência Brasil" classifica os vereadores por bancadas, citando que quatro são evangélicos (Dr. Nelson Ferreira, Liliam Sá, Pastora Márcia Teixeira e Théo Silva), outros quatro sindicalistas (Eliomar Coelho, Roberto Monteiro, S. Ferraz e Stepan Nercessian) e um (Jerominho) é policial civil.
Processos na Justiça ou no Tribunal de Contas
De acordo com a ONG "Transparência Brasil", dos 50 vereadores cariocas, seis (ou 12% do total) apresentam ocorrências na Justiça ou Tribunais de Contas.
A maioria (quatro) - Adilson Pires, Jorginho da SOS, Teresa Bergher e Verônica Costa - responde a irregularidades na esfera da Justiça Eleitoral. Eles tiveram suas prestações de contas de campanha rejeitadas, respectivamente, nas campanhas a vereador em 1996; a deputado estadual em 2002;a deputada estadual em 2002; a deputada estadual em 2002.
O vereador Jerominho responde a denúncia no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por formação de quadrilha e bando armado, referente ao seu suposto envolvimento com as milícias cariocas e está preso. O vereador Nadinho do Rio das Pedras responde a denúncia, em primeira instância, por homicídio; ele seria o mandante do assassinato de um inspetor, motivado por desavenças políticas.
Levantamentos feitos na imprensa mostram que ao menos cinco vereadores (10%) empregam, ou já empregaram parentes em seus gabinetes: Carlo Caiado, Jorge Felippe, Pastora Márcia Teixeira, S. Ferraz e Cristiane Brasil. Outros três vereadores são citados no noticiário por suspeita de corrupção: Sami Jorge (por suposta irregularidade em concessão pública de um restaurante), Chiquinho Brazão (por suposta participação em esquema conhecido por "Máfia dos Combustíveis") e Jorge Pereira (repasse de recursos a ONG que fundou).
R$ 70 mil por mês por parlamentar
A Casa publica na Internet informações a respeito de presenças de seus integrantes nas sessões plenárias, mas não divulga a assiduidade dos parlamentares nas reuniões de comissões temáticas. A Casa tampouco presta informações relativas ao uso que os vereadores fazem da cota mensal de selos e de gasolina a que têm direito. A assessoria de imprensa, o departamento financeiro, a diretoria-geral e a assessoria da presidência da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro não informam quanto é o salário de um vereador e o montante de outros auxílios que recebe no exercício do cargo.
De acordo com o vereador Eliomar Coelho (PSol), um vereador carioca recebe salário de R$ 9.288,00. Cada vereador tem direito a 4 mil selos e vale-combustível no montante de R$ 500,00 por mês. Os vereadores não gozam de verbas indenizatórias, mas podem contratar 20 assessores com salários pagos pela Casa legislativa. Isso representa um gasto de aproximadamente R$ 70 mil por mês por parlamentar. Além desses montantes, cada vereador tem direito também a um salário extra no início do ano.
Troca de partidos
Um total de 14 vereadores mudou de partido ao longo do mandato, representando uma porcentagem de 28% do total de parlamentares do legislativo carioca:

Os vereadores mais faltosos
Nas 99 sessões realizadas entre abril de 2007 e maio de 2008, sobre as quais há dados disponíveis, os vereadores faltaram em média a 21%. O campeão, vereador Jorge Pereira, chegou a faltar em quase duas de cada três sessões realizadas (63%). Abaixo, os nomes e freqüências dos vereadores mais faltosos (a Câmara não disponibiliza a diferenciação das faltas justificadas e não justificadas):
Os vereadores que menos faltaram foram:
Parentesco na Camara
Dos dados pessoais coletados sobre os vereadores, através dos perfis que disponibiliza a página da Câmara do Rio de Janeiro foi possível identificar ao menos dez vereadores parentes de políticos ou de ex-políticos, nada menos que 20% do total de parlamentares:
Arrecadação em 2004
O total de arrecadação dos 1110 candidatos a vereador do Rio de Janeiro foi de quase R$ 12.872.051,00. A média de arrecadação por candidato foi de R$ 24.471,58. Foram excluídos para o cálculo de média de custo de campanha os vereadores que declararam que nada arrecadaram, como também aqueles que não apresentaram declarações à Justiça Eleitoral.
Da mesma forma como se verifica nas eleições de todos os níveis e esferas, o montante arrecadado pelos candidatos é altamente determinante para a probabilidade de o indivíduo ser eleito.
* Dados extraídos da ONG Transparência Brasil