A luta de Paula Pequeno
Convivendo com dores no joelho, musa já jogou no sacrifício e até se submeteu a cirurgia espiritual
POR ANA CARLA GOMES, RIO DE JANEIRO
Rio - A sensação de impotência diante das dores no joelho esquerdo existe, sim. Ainda mais depois de uma temporada perfeita pela Seleção feminina de vôlei, quando chegou a ser eleita a melhor jogadora da Olímpíada de Pequim, com direito à conquista do ouro. Mas Paula Pequeno não se dá por vencida. Como uma guerreira, ela já jogou no sacrifício para ajudar o Finasa/Osasco nas quartas-de-final da Superliga e conta que tentou de tudo para se recuperar, recorrendo até a uma cirurgia espiritual, em São Paulo.
“Não é segredo (a cirurgia espiritual). Recorri também à acupuntura e à medicina tradicional. Tentei tudo o que podia. Tenho fé e acredito em pessoas que façam o bem. Sou católica, tenho fé em Deus, e cada religião tem sua maneira de ajudar”, contou Paula, seguindo o exemplo da ex-jogadora Ana Moser, que fez 12 cirurgias espirituais durante a carreira, uma delas antes da Olimpíada de Atlanta (1996).
“O caso dela foi diferente, porque ela acelerou um processo de recuperação”, pondera.
Por causa das dores no joelho esquerdo, Paula não disputou sete jogos do Finasa na Superliga. A atacante retornou ao time na última partida das quartas-de-final, no dia 27 de março, contra o Banespa. Mas voltou a sentir o joelho ontem e ficou fora do duelo contra o São Caetano, pelas semifinais.
“A sensação de impotência por ficar fora de um jogo é grande, mas tenho que superar todas as barreiras, todas as dificuldades”, diz ela, que, em retribuição à medalha de ouro em Pequim, tatuou nas costas os anéis olímpicos, com os dizeres: ‘Obrigado, Senhor’.
Foi também no joelho esquerdo que Paula sofreu uma cirurgia em 2004, que a tirou da Olimpíada de Atenas. “Dessa vez, foi um pouco diferente. Não pensei no que tinha acontecido naquela época. O problema é que a gravidade daquela cirurgia acelerou o processo de desgaste”, conta Paula, explicando que tem também uma artrose no joelho.
Uma nova cirurgia, ao fim da Superliga, não está descartada.
“Os exames apontaram para a necessidade de eu operar, conseguindo uma sobrevida até o fim do torneio. Claro que vamos fazer de tudo para evitar, mas estou preparada tanto para ter de operar quanto para não ter”, comentou, admitindo que sente dores quando está em quadra: “Não é uma dor constante, pode acontecer a qualquer momento. De vez em quando, o joelho trava. Durante todo esse período, tive que aprender a conviver com essas coisas”.
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