PF busca 2 índios após desocupação de fazenda em MS
Mato Grosso do Sul - Dois índios guaranis da Aldeia Pirajuí, localizada na cidade de Paranhos (MS), na fronteira com o Paraguai, estão desaparecidos desde o último sábado. Duas equipes da Polícia Federal em Naviraí (MS), a cerca de 270 quilômetros de Paranhos, já se encontram no local, apurando as denúncias de que os índios teriam sido detidos por seguranças da Fazenda Triunfo.
Segundo a administradora da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a Região Sul do Estado, Margarida de Fátima Nicoletti, os dois desaparecidos, conhecidos como Olindo e Jenival, são professores e acompanhavam o grupo de pelo menos 18 índios que havia ocupado a fazenda quarta-feira passada.
"É uma grande propriedade e, ao que parece, o dono demorou a saber da presença dos guaranis. Ainda não temos informações exatas sobre o que aconteceu, mas alguns índios garantem que pistoleiros os colocaram para fora da fazenda com violência, disparando balas de borracha e que, na ação, os dois professores sumiram", disse Margarida, explicando que ainda não tem o levantamento com o número de feridos.
Embora índios que presenciaram a confusão garantem que Olindo e Jenival foram detidos pelos seguranças da fazenda, Margarida diz não estar descartada a hipótese de que os dois estejam escondidos, com medo dos seguranças, aguardando pelo melhor momento para escaparem. Já a assessoria da PF em Naviraí considera a possibilidade de ambos terem se embrenhado no mato e atravessado a fronteira para o Paraguai.
"Os próprios índios estão ajudando nas buscas e o clima está muito tenso porque muitos deles acreditam que eles tenham sido mortos", declarou Margarida, por telefone. "A comunidade está revoltada e já manifestou que se o Olindo e o Jenival não forem encontrados logo eles vão reunir pelo menos 200 pessoas e vão entrar na fazenda para procurar por eles. A gente está tentando contornar essa situação, mas até quando vamos segurar isso nós não sabemos".
De acordo com Margarida, cerca de 45 mil indígenas guaranis e kaiowá vivem no sul do estado - pelo menos 350 deles na Aldeia Pirajuí. Juntos, eles reivindicam a demarcação de pelo menos 32 áreas ditas tradicionais, alegando que seus antepassados viviam nelas.
"Os índios vivem em territórios muito pequenos e estão revoltados, reclamando a demarcação de novas áreas indígenas nos locais que seus antepassados habitaram. A Funai precisa mesmo se empenhar e dar continuidade a esses estudos antropológicos e a sociedade toda tem que colaborar já que muitos proprietários não querem a demarcação e deixar de dizer que o problema dos índios não é terra. Aqui no Mato Grosso do Sul , grande parte dos conflitos, da violência, é por falta de espaço, pois os índios já provaram que não querem ir para os grandes centros urbanos e deixar de ser índios", disse a coordenadora.
As informações são da Agência Brasil
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