As estações das hortas
Programa Ambiental da SuperVia em parceria com comunidades elimina dois terços dos lixões ao longo da via férrea e abre caminho para plantações, com a finalidade de distribuir alimentos
Rio - As ações de responsabilidade social, em geral, surpreendem. Quando uma empresa investe em um projeto específico, a interação com a comunidade ou grupo atendido — quando ocorre — leva a respostas que superam os objetivos iniciais. A SuperVia está colhendo frutos de experiência semelhante. Ao visitar comunidades ao longo dos trilhos, o Programa Ambiental da concessionária inicialmente tinha o objetivo de conscientizar os moradores a deixar de jogar lixo que prejudicava o transporte. Havia 150 lixões em toda a linha. Agora, há 49.
O projeto começou com a Blitz Ambiental, quando funcionários e voluntários percorriam as comunidades e batiam de porta em porta para verificar quem jogava lixo na via, mas surgiu uma proposta diferente. Os funcionários propuseram reflorestar as áreas que foram limpas, mas moradores que aderiram ao Programa Ambiental sugeriram um projeto de horta comunitária orgânica.

As hortas comunitárias serão administradas pelas associações de moradores ao longo da malha férrea. Meta é implantar pelo menos 40 delas | Foto: Divulgação
Agora, além de manter a região próxima de suas residências limpa, eles poderão levar alimentos saudáveis para casa. A companhia dá as mudas e as áreas para o plantio, e as associações de moradores locais são responsáveis pela produção. A primeira experiência é em um espaço de 200 metros quadrados em Vila das Torres, Magalhães Bastos, explica Cristiane Duarte, analista e coordenadora de Programas Ambientais da Supervia. “Já demos frutos. Nós doamos um computador para fazer o cadastro de retirada de alimentos. Sábado será o dia de recolhimento para os moradores. Nossa expectativa é beneficiar 600 famílias”, calcula.
Segundo Cristiane, o investimento não foi elevado. A próxima área será Padre Miguel, que tem 600 metros quadrados. A previsão é começar em dois meses. Depois, há planos para Cosmo, Campo Grande e Senador Camará. Até o fim de 2010, a idéia é ter 10 hortas comunitárias em áreas próximas às margens das linhas dos trens. O objetivo é implantar pelo menos 40. A experiência nas zonas Norte e Oeste da cidade tem parelelo em países desenvolvidos. Na Alemanha e na Inglaterra, é muito comum observar essas plantações ao longo das vias férreas, lembra a coordenadora do programa.
O saldo do trabalho é considerado positivo. Desde 2006, o Programa Ambiental já conseguiu reduzir o número de lixões às margens da rede ferroviária, que eram um problema histórico do Rio. A empresa também forma agentes comunitários, que recebem ajuda de custos para serem multiplicadores ambientais, levando a conscientização a toda sua comunidade.
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