Diagnóstico mais rápido de autismo
Novo método em estudo na Fiocruz poderá permitir o reconhecimento da doença mais cedo, o que facilita e melhora o tratamento
Rio - Um método computadorizado de mapeamento de cérebros de autistas, desenvolvido no Hospital Fernandes Filgueira, da Fiocruz, pode abrir caminho para o diagnóstico da doença, hoje feito apenas pela observação dos sintomas. Pesquisadores descobriram, por meio de eletroencefalograma digital, características que não eram percebidas nos cérebros em repouso.
“Observamos, por estímulos luminosos em diferentes frequências, que o lado direito do cérebro dessas crianças responde mais do que o lado esquerdo”, explicou o pesquisador russo Vladimir Lazarev, orientador do trabalho.
A identificação da doença é uma das primeiras barreiras enfrentadas por autistas. Como parte dos que apresentam o problema desenvolvem inteligência e linguagem normais, o diagnóstico tardio pode provocar demora nos cuidados.
Hoje, o diagnóstico é feito, em média, quando a criança está com 3 anos de idade. A identificação precoce pode permitir que o tratamento — voltado para as ações comportamentais — seja antecipado, permitindo melhor desenvolvimento e maior socialização. “Se chegarmos a uma conclusão positiva, o estudo será muito útil. O exame não irá substituir a avaliação clínica, que é fundamental, mas poderá ser uma ferramenta a serviço dos médicos”, explicou o neurologista infantil Adaílton Tadeu Alves, que integra o grupo de trabalho.
A pesquisa deve estar concluída em 2011. Na primeira etapa, já publicada no Internacional Journal of Psychophysiology, foram analisados cérebros de 16 autistas que não apresentam retardo mental.
“O autista recebe tratamento de psicólogos, fonoaudiólogos e, quando necessário, medicamentos (para agressividade). Quanto antes forem desenvolvidas suas habilidades, melhor para os pacientes”, avaliou a psicóloga Letícia Vargas.
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