Chove música na horta
Alunos de creche no Grajaú vão lançar CD com canções compostas no dia a dia da ‘lavoura’. Resultado é salada musical que estende o conceito ambiental por vários projetos da escola
Rio - Uma verdadeira salada musical será o tema do mais novo CD lançado na praça, com data prevista para o segundo semestre. Os artistas são crianças de até sete anos de idade, alunas da Creche Escola Studio da Criança, no Grajaú, que já são “veteranas” no mercado. A coletânea de músicas, compostas na disciplina Práticas Agrícolas, é coisa de gente grande. Comandados pelo professor biólogo e músico Roni Valk, elas são estimuladas a desenvolver conhecimentos sobre a produção da horta ecologicamente correta e fazem isso com música.

No início, aulas adotavam músicas que já existiam. Depois, alunos passaram a criar suas próprias canções relacionadas ao trabalho e ao aprendizado na horta da escola. Foto Felipe O´Neill/Ag. O Dia.
A experiência dos alunos já inclui a colheita de romã, banana, inhame, couve, bertalha, jaboticaba e até cana de açúcar. A horta, orgânica, tem composteira para produzir adubos obtidos a partir de resíduos tratados pelos pequenos agricultores. Roni diz que inicialmente trazia músicas que já existiam para trabalhar os conceitos da horta. Mas os alunos foram criando suas próprias canções, a partir do contato com a terra. Mesmo os mais novos, de dois ou três anos. “A música é atraente em qualquer faixa etária. Na Educação Infantil, é ferramenta tão importante quanto a pazinha e a enxada. Trabalhamos os conceitos da horta e a musicalidade”, explica.
O envolvimento da escola no conceito de sustentabilidade alcança outras áreas. “Reciclamos os resíduos. Fizemos um projeto de reciclagem, e os alunos nos cobraram continuidade da coleta seletiva. Adotamos uma conduta coerente”, afirma Fabiana Vieira, supervisora pedagógica.
O Projeto Barreira Natural é outro que segue essa linha. A ideia partiu da mãe de um dos alunos. “Compramos mudas de citronela, que estão sendo dispostas por toda a escola para combate à dengue. As crianças aprendem que o método é mais saudável, porque não usamos o aerossol que prejudica a camada de ozônio”, diz ela, que pretende estender o programa ao bairro. Para despertar uma relação especial com a natureza, a creche contratou uma empresa especializada, a Ecobé, que projetou um espaço para animais. “São animais visitantes e permanentes. No momento, recebemos o ganso africano”, conta a supervisora.
Até a piscina da escola tem tratamento especial. Tratada com ozônio, a água retirada no processo de limpeza é armazenada em um tanque para ser reutilizada. Todo o processo é conhecido das crianças, que crescem em ambiente envolvido com a preservação. E são as que assimilam mais fácil, garantem os educadores.
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