A tendinite da mamãe
Movimentos repetitivos ao amamentar e carregar bebês podem causar problemas nas articulações. Saiba como prevenir e tratar
POR FLÁVIA SALME, RIO DE JANEIRO
Rio - Quem é mãe sabe que ‘padecer no paraíso’ é o mais verdadeiro dos clichês. Pulando a parte boa da história, o trabalho diário de carregar bebês nos braços pode causar um tipo de lesão já batizado pelos médicos como ‘tendinite da mamãe’. É tanto esforço que, de repente, punho, antebraço, cotovelo, mão e ombro começam a doer intensamente. E a lesão pode até levar à incapacidade de movimentos da paciente.
De acordo com a fisiatra Adriana Athias, da Clínica da Dor, na gravidez a mulher produz o hormônio relaxina, que ajuda no trabalho de parto. “Ele atua em todas as articulações, relaxando ligamentos e amolecendo a cartilagem, para favorecer o parto. Mas ele também favorece o aparecimento dessa tendinite”. O médico Rogério Daflon, diretor do Hospital Municipal Barata Ribeiro, acrescenta que a inflamação acomete 5% das mulheres após o parto. “A mãe deve alternar o braço que segura a criança e, se necessário, pedir ajuda de familiares para dividir o trabalho”, orienta o ortopedista Everaldo Lopes, do Hospital Balbino.
Flávia Medeiros, 32 anos, mãe de gêmeas de 6 meses, conhece bem o problema. “Meu pulso dói muito, mas não tenho o que fazer: elas são muito pequenas e precisam de colo. Me preparo agora para fazer fisioterapia”, conta.
Aos sinais de sintomas como dificuldade para realizar tarefas com a mão, falta de força e até dormência, a mamãe deve ir ao médico. “Ele poderá pedir ultrassonografia do punho e até prescrever antiinflamatórios, além de fisioterapia”, diz o ortopedista Renato Moreira, da Casa de Saúde São José. “A prevenção começa antes da gravidez. A futura mamãe deve fazer exercícios regularmente, incluindo reforço muscular e alongamento. Durante a gestação, os exercícios devem continuar, se adequando à situação”, diz Everaldo Lopes.
O nome científico da ‘tendinite da mamãe’ é tendinite de Quervain.
Sobrecarga na coluna e nos joelhos
A rotina física do ‘abaixa-e-levanta’ para pegar a criança no colo, resgatar a chupeta que caiu, dar banho e trocar a roupa também deixa muitos pais ‘descadeirados’. As dores se espalham: vão da coluna ao joelho e, ao fim de um dia, dói até para sentar. Mais uma vez, é melhor prevenir que remediar, e incluir os exercícios físicos na rotina.
Na amamentação, a troca de olhar da mãe com a criança fortalece o vínculo entre os dois, mas também pode ser responsável por um grande torcicolo.
“A posição da coluna cervical provavelmente causará dor. A mãe precisa observar seu filho durante a amamentação e, nesse caso, é impossível não manter a coluna cervical em flexão. O problema é agravado pela condição hormonal da puérpera (mulher que acabou de ter filho) que, sob efeito da prolactina (hormônio que produz leite), também favorece as dores articulares”, ressalta o ortopedista Flávio Cavallari. Portanto, é preciso que a mãe eleve o olhar de vez em quando.
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