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07.10.09 às 01h21 > Atualizado em 07.10.09 às 01h21
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Um trocadilho de ouro

Mote de anúncio, “Yes We Créu” é um exemplo de marketing viral na rede

POR MARLOS MENDES , RIO DE JANEIRO

Rio - Sexta-feira, 2 de outubro de 2009. Às 13h51, o belga Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) anuncia o Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Às 13h52, Tadeu Vieira (@twittando) dispara no Twitter "Yes We Créu". Às 14h, Marcelo Tas (@marcelotas), do CQC, um dos perfis mais populares do microblog com mais de 832 mil seguidores, republica a piada. Pouco depois, a frase se torna o assunto mais comentado da twittosfera, provocando até a criação de um verbete na Wikipedia para explicar a gíria créu.
 

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

“Esse é o case viral do ano”, comemora Tadeu Vieira, presidente eleito do Clube de Criação do Rio de Janeiro (CCRJ), que encomendou o anúncio à agência F/Nazca.

A história da frase que conquistou a Internet e se tornou o mote da vitória do Rio de Janeiro sobre Chicago, Madri e Tóquio começou dias antes.

Na terça-feira, a nova diretoria do Clube de Criação resolveu pegar carona na campanha olímpica. Na noite de quarta-feira, 30, o publicitário Rafael Genu, redator da F/Nazca sabia que teria que criar um anúncio para o CCRJ sobre a decisão do COI. “Era um anúncio de oportunidade, poderia sair ou não. Não havia tempo de mobilizar produção, fazer foto, nem verba. Por isso saiu assim, um título sobre um fundo branco”, lembra Genu, que elaborou a peça com a diretora de arte Alessandra Sadock.

Segundo Genu, quem percebeu o potencial de a frase tornar-se um viral foi Tadeu Aguiar, que é diretor de criação da I 9, agência especializada em marketing online, e presidente eleito do CCRJ. “A gente sabia que a ação tinha potencial, mas não esperava tanto. O slogan caiu na boca do povo, ganhou dimensão internacional”, diz. Ele ressalta que criar um viral não é simples. “Não há como controlar a ação. Você planeja, mas depois que a ação é disparada, fica tudo nas mãos dos usuários”.

E assim foi. Na mesma tarde surgiram outros gracejos. Uma imagem em que Mussum aparece num célebre cartaz de Obama, e que já havia circulado, reapareceu com o “Yes We Créu” no lugar de “Obamis”, e um botom Rio-2016. Vieram vídeos no YouTube e outras apropriações, como acontece com as boas piadas na Internet. Façam ou não parte de campanhas.

Origem polêmica

Houve um momento em que Rafael Genu pensou que seu trabalho cairia por terra. Ao chegar ao escritório depois do anúncio do COI e perceber que a frase estava circulando na rede, entrou em contato com a colega Alessandra Sadock. “Estava com medo que alguém aproveitasse a ideia e dissesse que o nosso anúncio foi feito depois. Foi ela quem disse que tudo havia começado com o nosso anúncio. Eu quase não acreditei", lembra o redator.

A autoria do trocadilho é controversa. No campeonato mineiro deste ano, a torcida do Cruzeiro usou o “Yes We Créu” ao golear por 5 a 0 o Atlético-MG, que havia usado o “Yes We CAM”, referência à sigla do clube. Depois de o anúncio ganhar a rede, Genu pesquisou na Internet e encontrou a frase no blog do cruzeirense PC Almeida, no título de um post de 29 de abril. “Quando pensei na frase, não tinha visto o blog”, afirma Genu. Ele lamenta não ser o autor do trocadilho, mas diz que o usaria mesmo que já o conhecesse. “A publicidade pega algo da cultura popular e traz para a marca. O fato é que fomos os primeiros a usar a frase em formato publicitário”, diz.

O anúncio será publicado em revistas especializadas e outdoors no Rio de Janeiro. Veira pretende inscrevê-lo em competições no Brasil e no exterior. “Com certeza vai ganhar muito prêmio”, aposta. É o que falta para laurear o slogan que, pelo menos para os internautas, já levou a medalha de ouro.

 
 
 

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