O caderno do futuro
Classmate conversível, que chega em outubro, promete criar a nova sala de aula
POR MARLOS MENDES , RIO DE JANEIRO
Maceió - O professor entra em sala e pede que seus alunos se preparem para um trabalho em grupo. As crianças abrem os notebooks, giram a tela em 180 graus, transformando a máquina num caderno digital, e tomam uma caneta Stylus para fazer anotações e desenhos na tela sensível ao toque.

Foto: Divulgação
De sua mesa, o professor distribui a tarefa e organiza os grupos usando a rede sem fio (Wi-Fi). As crianças trabalham e compartilham entre si o que estão produzindo. De sua mesa, o professor observa em seu notebook o que se passa na tela de cada estudante. Um aluno que não está prestando atenção na aula, usando o computador para brincar com a webcam embutida, por exemplo, recebe na tela a informação de que seu computador foi bloqueado — uma leve bronca para que ele participe da aula.
O que parece uma sala de aula do futuro ou de um país muito rico já é possível no Brasil, inclusive em escolas públicas, no programa Um Computador por Aluno (UCA). Todos os recursos para essa aula imaginária estão disponíveis no novo Classmate conversível (ou tablet), que será lançado no Brasil em outubro, e fabricado no país. O novo Classmate foi apresentado na semana passada durante o Intel Editor's Day, em Maceió.
“Num computador convencional, a posição da tela é feita para dar privacidade. Em sala de aula, o que se busca é a colaboração, não a privacidade”, explica Alan Markham, gerente de Negócios e Ecossistema da Intel Brasil.
Como seu antecessor, já em uso no Brasil e que continuará a existir, o Classmate tablet usa processador Atom, da Intel, que permite construir máquinas mais compactas e com menor consumo de energia. Eles serão fabricados por Positivo, CCE (que já produzem o Classmate) e mais um fabricante ainda não divulgado. A configuração e o sistema operacional (XP Home ou Professional) ficará a cargo do fabricante, que treinará os professores, com apoio da Intel.
O Classmate conversível vem com pacotes de software educacionais licenciados e adaptados para ele, criados por desenvolvedores no programa Intel Learning Series. Os aplicativos saem sem custo adicional. Aliás, o preço do novo Classmate para o consumidor não foi fixado, e pode variar nas compras por escolas e instituições. "Custará o mesmo que um netbook convencional", explica Markham.
Programas otimizados
O novo Classmate vem com vários programas (aplicativos). Para textos, há um leitor (e-reader) otimizado. Trabalhando em rede, o professor pode pedir que a classe leia um texto e durante a leitura, pode destacar trechos. O destaque é visto simultaneamente por todos. O Classmate é capaz de se adaptar à caligrafia do aluno e aprender a reconhecê-la. Há também programas para desenho, edição de vídeos com a câmera integrada de 1,3 megapixels, navegador, gerenciador de energia, acesso rápido ao painel de controle e aos atalhos para os programas. Basta um clique para fazer backup (cópia de segurança) em um pendrive, e outro clique para a restauração. Pais e professores podem ainda controlar quando o Classmate pode ser usado e quais conteúdo ele pode acessar.
Sistema contra
O Classmate conversível também traz facilidades para os administradores das redes das escolas em que for adotado. Quando for necessário mudar uma configuração, ou instalar um novo software ou atualização, o administrador pode fazer a tarefa remotamente, distribuindo o conteúdo pela rede sem fio da escola. Também há programas para facilitar a configuração de perfis de usuários e dos pontos de acesso sem fio. Para funcionar, o Classmate depende da rede da escola. Se não se conectar à rede num determinado prazo, em caso de roubo, por exemplo, ele é travado e fica totalmente inutilizado. E só volta a funcionar quando for conectado à rede original. O prazo pode ser configurado pelo administrador, para o caso de feriados e férias.
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