O DIA ONLINE - ir para a capa
O DIA ONLINE - ir para a capa
14.11.09 às 20h42 > Atualizado em 14.11.09 às 21h06
Vote nessa notícia vote_noticia

Maria Zilda revisita seus 35 anos de TV: 'Sou malcriada e generosa'

POR GUILHERME SCARPA, RIO DE JANEIRO

Rio - Ela já foi símbolo sexual e pertenceu à linha de frente das novelas. Atriz e produtora, Maria Zilda é mãe do Secretário de Ordem Pública da Prefeitura do Rio de Janeiro, Rodrigo Bethlem, e está ‘causando’ na novela ‘Caras & Bocas’, de Walcyr Carrasco. É com Léa, personagem fútil que se apaixona por um gay, que ela comemora 35 anos de TV Globo.

O DIA — Em ‘Caras & Bocas’, você vive uma mulher que se envolve com um homem gay. O que acha da personagem?
Maria Zilda — Estou muito satisfeita. Acho bárbara essa abordagem do Walcyr (Carrasco, autor da trama). Ele vai contra vários preconceitos: sexo, idade e classe social.

Foto: Renato Rocha Miranda / TV Globo
Foto: Renato Rocha Mmiranda / TV Globo

— Você está completando 35 anos de TV Globo. A primeira novela foi ‘Fogo Sobre Terra’ e, depois, ‘Escalada’. O que você lembra dessas produções?
— Foram trabalhos pequenos, mas que serviram para conhecer atores e pessoas do meio. Era um sonho de criança ser atriz. Nasci para isso. Meu primeiro trabalho profissional em teatro foi em 1972 e, no cinema, em 1978. Na Globo, o primeiro grande trabalho foi em ‘Nina’ (1977). Eu fazia a parceira de Ary Fontoura. Éramos uma dupla de cineastas clandestinos.
 
— Quem você citaria como fundamental na sua trajetória artística?
— O Ary Fontoura me ensinou muito. Débora Duarte também, tanto no teatro quanto na TV. Roberto Talma (com quem a atriz foi casada), (os diretores) Jorge Fernando e Guel Arraes. Tem mais gente, mas não quero cometer injustiças.

— Você foi capa da ‘Playboy’ em 1985, aos 31 anos, e desempenhou diversos papéis sexies ao longo dos anos 80. Já é avó. Envelhecer é problema?
— Sou avó, sim, e muito orgulhosa de minha pequena Vitória. Fui mãe muito cedo e não me arrependo. Quanto à ‘Playboy’, antes de decidir, fui me aconselhar com meu filho (Rodrigo Bethlem, Secretário de Ordem Pública da Prefeitura do Rio de Janeiro), que, na época, tinha 13 anos, mas sempre foi muito maduro.
 
— Como é ser mãe do Secretário de Ordem Pública do Rio? As pessoas devem fazer perguntas e comentários. Você e ele conversam sobre os problemas da cidade?
— Conversamos muito. Sempre fomos muito amigos e confidentes. E tenho muito orgulho dele por sua coragem e seriedade. Rodrigo começou a trabalhar, mesmo sem precisar, aos 15 anos de idade.
 
— Além das novelas, você também foi dirigida por Ítalo Rossi (no monólogo ‘Isso Era Tudo Que Eu Queria’), e já ganhou um Kikito de Melhor Atriz (por ‘Eu Não Conhecia Tururu’, de Florinda Bolkan, em 2000). Como se conquista respeito nesta profissão? Você conseguiu?
— Consegui seguindo o conselho que um amigo me deu em 1972. Eu era muito bonitinha e não faltavam convites para as pornochanchadas. Então, esse amigo disse: “Se você fizer filmes assim, jamais fará filmes ‘A’”. Segui o conselho.

— Você participou de muitas comédias (‘Guerra dos Sexos’ e ‘Top Model’) e alguns dramas (‘De Corpo e Alma’ e ‘Por Amor’). Faz distinções entre esses trabalhos? Tem alguma predileção?
— É sempre bom e mais difícil fazer rir do que chorar. Mas gosto do meu ofício. Portanto, o que vier eu traço! (risos).

— Nesses 35 anos de carreira, você se arrepende de alguma coisa? É saudosista ou só olha para o futuro?

— Não ligo para o passado. Penso no amanhã porque é lá que pretendo passar o resto da vida.

— Como você se define?
— Sou boa amiga, guerreira, honesta, ousada, malcriada, boa mãe e generosa. Aos amigos, tudo; aos inimigos, no mínimo uma avaliação de desempenho. Esse é meu pior defeito.
 
— O que tira você do sério?

— Impontualidade e mentira.

— Você tem algum sonho que ainda não realizou?

— Alguns, claro! Senão, para que continuar? O bom da vida é crescer sempre e encarar os desafios.

 
 
 

> Mais promoções