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07.11.09 às 01h09
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No ano do centenário de Carmen Miranda, Andréa Veiga e Stella Miranda revivem a diva

POR GUILHERME SCARPA, RIO DE JANEIRO

Rio - Maria do Carmo Miranda da Cunha — (re)conhecida como a Pequena Notável — nasceu no Porto, Portugal, mas bem poderia ter sido no Rio de Janeiro. “Basta botar um turbante com frutas na cabeça e pronto”, diz Stella Miranda, sobre a figura de Carmen, sinônimo de patrimônio brasileiro no mundo todo.
 

Foto: Divulgação

A cantora e atriz, que morreu em 1955, anda mais viva do que nunca. Meses após a data em que comemoraria 100 anos, 9 de fevereiro, ela está presente em peças de teatro, regravações de seu repertório, livro e até, quem sabe, espírito. “Meu figurinista, Marcelo Marques, disse que ela o ajudou. Porque todo lugar que ele ia, conseguia tudo o que precisava”, brinca Andréa Veiga, que encarna a diva em ‘Camen, O ‘It’ Brasileiro’, que está em cartaz no Teatro Rival.

A atriz ainda não conferiu a peça de Stella Miranda — ‘Miranda por Miranda’, no Teatro Sesc Ginástico —, mas conta que buscou originalidade quando decidiu produzir seu espetáculo. “Juntei o útil ao agradável. Ano passado, li o livro do Ruy Castro (‘Carmen — Uma Biografia’, Ed. Companhia das Letras) e tive a ideia. A obra dela é muito extensa e rica em termos musicais”, conta Andréa, que optou por abordar a trajetória da artista antes de ir para os Estados Unidos. “Focamos em suas raízes. Ela foi à frente do tempo, impulsiva”, diz a atriz, que já tinha vivido Carmen na novela ‘Salomé’, em 1991.

Stella Miranda também desenvolveu intimidade com a persona da Pequena Notável. “Já vivi Carmen muitas vezes. Vem com naturalidade. Dessa vez, fiz uma versão pessoal sobre ela. É como se fosse uma Carmen atualizada, com arranjos reinventados”, acredita.

Seguindo essa linha, as cantoras Daniela Mercury e Bebel Gilberto também fizeram suas respectivas homenagens. É de Bebel a versão cool de ‘Chica-Boom-Chic’, presente na trilha de ‘Viver a Vida’. Daniela escolheu logo duas para o disco ‘Canibália’: as clássicas ‘Tico-Tico no Fubá’ e o ‘O Que É Que A Baiana Tem’.

A HISTÓRIA DE CARMEN

Foi com menos de 1 ano de idade que Carmen Miranda chegou ao Brasil. Seu pai, o barbeiro José Maria Pinto Cunha, havia vindo meses antes e se instalado no Rio. Antes da fama, a cantora trabalhou numa loja de gravatas e numa chapelaria. A grande chance viria em 1929, quando conheceu o compositor Josué de Barros. No ano seguinte, estourou com o samba ‘Pra Você Gostar de Mim’ e não parou mais. Em 1939, embarcou para os EUA, onde estrelou 13 filmes, que a transformaram numa estrela.

Nos anos 40, quando esteve no Brasil, foi acusada de ter voltado americanizada. A dependência de barbitúricos, para aturar a superagenda, contribuiu para sua morte, de ataque cardíaco, aos 46 anos.

 
 
 

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