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24.04.09 às 00h55
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Salgueiro ferve e a Viradouro aderiu: no lugar do samba, o funk lota as quadras

POR KAMILLE VIOLA, RIO DE JANEIRO

Rio - Quem entra na quadra do Salgueiro, no Andaraí, logo avista a bandeira da escola e suas cores, vermelho e branco, por todos os lados. Cerca de quatro mil pessoas dançam animadas, com baldes cheios de cerveja apoiados a seu lado, no chão. É uma sexta-feira e o som está bombando, mas em vez da conhecida bateria Furiosa, o que se vê é um paredão de caixas de som, de onde saem os graves poderosos do funk.

O baile é sucesso há dois anos. A receita de pancadão no templo do samba deu tão certo que expandiu domínios: agora, a Viradouro — que teve a primeira bateria a fazer a paradinha funk na Avenida — também tem baile funk aos sábados. “Acho que tem tudo a ver. Baile de comunidade é sempre na quadra da escola mesmo”, opina a auxiliar administrativa Maria Claudia Medeiros, 21 anos, dançando na Viradouro, em Niterói, com a amiga e estudante Jaqueline Aquino, 20.

foto Ag O Dia
Caldeirão esquenta ao som do pancadão. Foto: Alexandre Brum / Ag O Dia

 

Ouça acima o funk que anima a galera quando toca!

Outros lugares já famosos pelo pagode, como a Kabanna Catonho, em Sulacap, têm também noites de funk de sucesso. A afinidade é tanta que existem cada vez mais eventos com os dois ritmos. Como as sextas-feiras do Pagodão Pânico e Ferrari, em Ricardo de Albuquerque, que têm DJs e MCs, e shows do grupo Vou Pro Sereno.

“A mistura de ritmos agrada a todos os gostos. Aqui tem gente de Ricardo de Albuquerque a Copacabana”, conta a atendente Juliana Martins, frequentadora da Pânico e Ferrari e moradora da região, no pagofunk com as amigas Renata Guimarães, 29, e Emanuelle Audrim, 22. A cantora Valeska Popozuda, da Gaiola das Popozudas, concorda. “Acho muito legal quando os bailes misturam funk com outros ritmos, agrada a todo mundo. E eu adoro um pagode, um samba”, conta a funkeira, rainha de bateria da escola Porto da Pedra em 2009, que elogia o baile do Salgueiro.

Para Rômulo Costa, que comanda a equipe e o programa ‘Furacão 2000’, na FM O Dia, a realização no baile em ‘points’ de batucada é natural. “O público funkeiro é o mesmo do pagode. Tanto que, no Carnaval, a frequência dos bailes cai”, explica ele. “Para as escolas, o funk é mais uma receita, porque o samba só dura três meses. E a presidente do Salgueiro, Regina Duran, adora o funk, não perde um baile e dança até o chão”, conta Rômulo, que anima cerca de oito bailes da Furacão por semana com sua mulher, Priscila Nocetti.

O sucesso foi tanto que o baile foi eternizado na música ‘Salgueiro é o Caldeirão’, do MC Menor do Chapa, um hit nas rádios e bailes. “A música deu a maior força para a escola, que venceu este ano”, diz DJ Luizinho, que toca há dois anos na quadra da agremiação.

Os frequentadores aprovam e batem ponto, boa parte vestindo as cores da escola. “É muito show ter essa mistura, tudo a ver”, elogia Giselle Guimarães, 22, no Salgueiro, com as amigas Tatiana Moraes, 18, e Camila Abdon, 19. “Comecei a vir logo no começo do baile, mas vivo aqui, venho em tudo, até nas feijoadas”, jura a estudante Jessica Silva, 28, que faz festa com a irmã, Thaís, 18, e a prima Luana, 25, provando que samba e funk estão mesmo ‘juntos e misturados’.

ONDE O SAMBA DÁ LUGAR AO FUNK

PAGODÃO PÂNICO e FERRARI.Rua Japuara 100, Ricardo de Albuquerque (7835-5080). Hoje, às 23h. Mulher: R$ 8. Homem: R$ 10.

SALGUEIRO. Rua Silva Teles 104, Tijuca (2238-0389). Com MC Tikão e cia. de dança. Hoje, às 23h. Mulher: grátis (primeiras 500) e R$ 10. Homem: R$ 10.

KABANNA CATONHO. Estrada do Catonho nº 50, em Sulacap (2435-1252). Amanhã, às 22h. Mulher: R$ 5. Homem: R$ 10.

VIRADOURO. Av. do Contorno 16, Barreto, Niterói (2628-7840). Com Smith e cia. de dança. Amanhã, às 23h. Mulher: grátis (até 23h30) e R$ 10. Homem: R$ 10
 

 
 
 

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