No inverno, loura gelada vira morena encorpada
Cervejas fortes ganham a estação nos bares e programação cultural também se adapta ao frio
Pedro Landim e Kamille Viola
Rio - Agora que o tempo esfriou, a oportunidade é boa para tirar o cachecol do armário e investir no colarinho. Convocar os amigos, chegar pertinho de seu amor e sugerir programa típico da estação: que tal uma cervejinha? Sim, porque no inverno as que eram louras e geladas tornam-se mulatas provocantes, encorpadas e reveladoras de aromas diferentes.
Importadas e (cada vez mais) nacionais, muitas produzidas artesanalmente, seguindo leis de pureza ou surpreendendo com especiarias, frutas e diferentes métodos de fermentação, são centenas de rótulos num mercado que cresce e borbulha nas mesas. No roteiro de bares especializados na bebida milenar, descobrimos também cardápios que dão água na boca, feitos na medida para acompanhar as garrafas da estação.

“Há muitas cervejas para o tempo frio, geralmente mais escuras e de maior teor alcoólico. Algumas nem precisam de geladeira”, diz Leonardo Oliveira, do Beertaste, que tem no corpo três tatuagens com suas preferidas: a irlandesa Guiness e as as belgas Duvel e Tripel Karmeliet.
A última, feita em monastério carmelita com aveia, trigo e malte, com notas frutadas (R$ 23,90, 330ml), é uma das delícias da loja, um templo cervejeiro no Città América, na Barra (2494-9136).
As melhores do mundo estão na carta de 100 rótulos e 50 copos diferentes. A luz é baixa e há ‘jukebox’ com jazz e blues, bom ambiente para ‘cervas’ como a alemã Bitburguer (R$ 6,90, 330ml) e a belga Maredsous 6 (R$ 19,90, 330ml). Há chopes Guiness (R$ 8) e Erdinger (R$ 10), e o German Hot Dog: salsichas, parmesão e molho tártaro (R$ 15).
Na Herr Brauer, no Flamengo (2225-4359), há espaço também para a tradicional e potente Caracu, a R$ 3,80, ao lado de alemãs como Paulaner (R$ 13,10, 500ml) e brasileiras tipo a Colorado Demoiselle, de café (R$ 16,50, 600 ml). “Vale a pena pagar mais por cerveja diferente”, afirma o vendedor Fábio Tavares, com a mulher, Érica, e a amiga Camila Paiva.
“No tempo frio, valorizamos o sabor”, diz o arquiteto Marcus Pinho, com a namorada, Renata Aranha, e a amiga Monique Gomes no Boteco da Garrafa, Lapa (2507-1976). Na mesa, a belga Leffe (R$ 10,50), receita de abadia que vai bem com espeto de frutos do mar (R$ 11,90); e a alemã Franziskaner (R$ 12,90, 550ml). Lá, são 24 rótulos. E na Tijuca, a delicatessen Nigry (2268-6896) tem cerca de 100 cervejas como as Eisenbahn, de Blumenau (de R$ 5 a R$ 7). “As tipo Bock e Red Ale vão bem no inverno”, diz Julio Nigri, entre seus frios e antipastos. Começou a degustação.
QUALIDADE ARTESANAL
Há inúmeros tipos de cerveja no mundo, dentro de dois ‘grupos’ principais: Lager e Ale. No primeiro, de baixa fermentação, estão as Pilsen, as claras e leves de nossos botequins. As ‘de inverno’ estão entre as ‘ales’, de alta fermentação, encorpadas e complexas. Entre as cervejarias artesanais brasileiras há exemplos de alta qualidade, inclusive seguindo a ‘Lei da Pureza da Cerveja’, promulgada em 1516 por Guilherme IV, duque da Baviera: toda cerveja deve ser feita apenas de água, malte e lúpulo e levedura.
Entre as marcas nacionais está a Eisenbahn, de Blumenau (SC), destaque para a Strong Golden Ale (R$ 11, 355ml) — preços aproximados — e a Lust, feita pelo método da champagne, com fermentação na garrafa (R$ 70, 750ml). A Falke Bier, de Belo Horizonte, tem a Ouro Preto, com aroma de chocolate (R$ 18, 600ml); e a Baden Baden, de Campos do Jordão, destaca a Red Ale, avermelhada e cremosa (R$ 15, 600ml). De Ribeirão Preto (SP) vem a linha da Colorado, sabores como a Demoiselle, feita com café e premiada na Alemanha, a Cauim com mandioca, e a Indica, de rapadura (todas por volta de R$ 16).
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