Fed diz que vai manter juros baixos por 'período extenso'
Washington (EUA) - O Federal Reserve (Fed, banco central americano) decidiu nesta quarta manter sua política monetária e, embora tenha admitido que há indícios de recuperação econômica, declarou que as atuais condições exigem taxas de juros "excepcionalmente baixas por um período extenso".
O Comitê de Mercado Aberto do Fed, que dirige a política monetária dos Estados Unidos, concluiu dois dias de deliberações em sua penúltima reunião sobre política monetária deste ano, reafirmando unanimemente o curso adotado em dezembro de 2008. Desde então, a taxa interbancária de curto prazo - de referência nos EUA - ficou entre zero e 0,25%.
Além disso, o Fed injetou quase USê 1 trilhão no sistema financeiro por meio da compra de bônus do Tesouro, garantias a letras de câmbio comerciais e da aquisição de ativos respaldados por hipotecas.
Em decisão unânime, o Comitê manteve as taxas de juros em níveis mínimos e as palavras "período extenso" em seu comunicado, como acontece desde março. O Fed completou no mês passado seu programa para a aquisição de USê 300 bilhões em bônus do Tesouro, e o comunicado mostra que continuará reduzindo sua intervenção de maneira muito gradual.
Embora o banco central aponte para a aquisição no primeiro trimestre de 2010 de USê 1,25 trilhão em ativos de agências federais respaldados por hipotecas, investirá "ao redor de USê 175 bilhões na aquisição de dívida de agências federais".
Dois meses atrás, o Fed tinha indicado que adquiriria até USê 200 bilhões nestes ativos. "As empresas continuam cortando seus investimentos fixos e seu pessoal, embora em um ritmo mais lento. A atividade no setor imobiliário cresceu em meses recentes", diz o comunicado do banco central.
Ao mesmo tempo, acrescenta a entidade, "como é provável que a fraqueza substancial de recursos continue aplacando as pressões de custos e as expectativas de inflação no longo prazo são estáveis, o Comitê espera que a inflação siga sendo moderada por algum tempo".
O presidente do Fed, Ben Bernanke, e seus colegas brigam para determinar quando a recuperação econômica, da qual houve indícios durante os últimos três meses, será suficientemente forte para que o banco central diminua a intervenção que evitou uma depressão.
Apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) americano ter crescido 3,5% no terceiro trimestre, o primeiro aumento em um ano, o índice de desemprego foi de 9,8% em setembro. Além disso, analistas esperam que o Departamento de Trabalho americano anuncie na sexta-feira uma taxa de desemprego de 9,9% em outubro.
As taxas de juros em níveis baixos inéditos e as compras de bônus do Tesouro e dívida hipotecária feitas pelo Fed, combinadas com o plano de estímulo econômico do presidente americano, Barack Obama, com um montante de USê 787 bilhões, contribuíram para esse crescimento.
Até o dia 30 de setembro, o Governo americano tinha distribuído USê 339 bilhões do plano de estímulo aprovado em fevereiro em programas como os subsídios à compra de automóveis novos e a compra de imóveis.
Analistas calculam que, sem a contribuição do setor automotivo, beneficiado pelo programa do Governo, o crescimento do PIB dos EUA entre julho e setembro teria sido de 1,9%.
EFE
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