Diretores lutam contra o tempo para gerir escolas
Pesquisa Ibope mostra que eles estão trabalhando mais em funções que não eram de sua atribuição. Só 17% se sentem valorizados
POR CHRISTINA NASCIMENTO, RIO DE JANEIRO
Rio - Por muito tempo, eles tiveram fama de durões, eram implacáveis no acompanhamento da vida escolar dos alunos e praticamente desconheciam situações de violência nas salas de aula. Realidade distante para os atuais diretores de escolas. É o que mostra um estudo feito em 13 capitais, entre eles o Rio de Janeiro. Com a jornada de, em média, 10 horas diárias de trabalho, eles reclamam que não sobra tempo para conversar com os professores e menos ainda com os estudantes. Apesar de mais flexíveis, não se sentem prestigiados pela comunidade e culpam o governo pelo baixo índice de rendimento das turmas nas avaliações nacionais do Ministério da Educação.
A pesquisa, feita entre maio e junho, ouviu 400 profissionais das redes municipais e estaduais de ensino. “A constatação é que os diretores estão insatisfeitos com as condições de trabalho e que é claro, para eles, que a categoria não é valorizada na sociedade”, afirmou Davi Saad, diretor-executivo da Fundação Victor Civita, instituição que encomendou o levantamento. Os dados revelam que a profissão perdeu ‘status’ e ganhou atribuições. Só 17% acreditam que são valorizados pela sociedade. Não basta mais ser educador, o diretor tem que entender de gestão pública, num universo que mistura auditorias, prestações de contas com compra de merenda e soluções de conflitos entre alunos e professores.
“São muitas atividades e a falta de tempo acaba sendo agravante. Não existe mais a figura do inspetor nas escolas públicas, então algumas tarefas acabam se tornando de nossa responsabilidade”, afirmou a diretora Centro Interescolar Estadual Miécimo Silva, Rosana Farias, 50 anos.
ESTRESSE
O estresse virou uma companhia permanente da categoria. Cerca de 60% afirmaram que nos fins de semana realizam tarefas em casa referentes à escola. A pesquisa revelou que, como o tempo é escasso, eles acabam negligenciando atividades importantes, como reuniões com os pais: 58% dizem que só se reúnem com eles uma vez por semestre.
Mas houve também dados positivos: 89% afirmaram que os cursos de gestão oferecidos pelas redes ajudaram muito a melhorar seu desempenho nas escolas. E 93% acham que sua primeira formação foi boa ou excelente e 50% estão muitos satisfeitos com a qualidade da merenda.
Eleição só com planejamento
A secretária Municipal de Educação, Claudia Costin, anunciou que a próxima eleição de diretores vai passar por mudanças — a última aconteceu no fim de 2008. Até então, o profissional era submetido a um curso de gestão, após ganhar a eleição. A novidade agora é que ele terá que fazer esse treinamento ainda na condição de candidato. Ele também terá que apresentar uma espécie de ‘programa de governo’ que vai adotar se for eleito para a gestão de três anos. “O programa é para ele apresentar para a comunidade as melhorias que pretende adotar para escola”, afirmou a secretária.
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