Vaticano expressa pesar por decisão contra obrigatoriedade de crucifixos
Cidade do Vaticano (Itália) - O Vaticano expressou hoje seu "estupor" e "pesar" pela sentença ditada nesta terça-feira pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos contra a exibição obrigatória de crucifixos nas salas de aula em resposta a um recurso apresentado por uma mãe italiana.
O porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, se referiu nesses termos à decisão da corte europeia, sediada em Estrasburgo (França), em declarações à "Rádio Vaticano" e à rede de televisão pública italiana "Rai" divulgadas pelo Vaticano por meio de um comunicado de imprensa.
"O crucifixo sempre foi um sinal de oferta do amor de Deus e de união e acolhida para toda a humanidade. Lamento que seja considerado como um sinal de divisão, de exclusão ou de limitação da liberdade", acrescentou.
Na sentença desta terça-feira, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos diz que "a exibição obrigatória do símbolo de uma determinada confissão em instalações utilizadas pelas autoridades públicas, e especialmente em salas de aula", restringe os direitos paternos de educar seus filhos de acordo com suas crenças.
Para Lombardi, "é grave querer separar do mundo educativo um sinal fundamental da importância dos valores religiosos na história e na cultura italiana". "A religião dá uma contribuição preciosa para a formação e o crescimento moral das pessoas e é uma componente essencial de nossa civilização. É errôneo e míope querê-la excluir da realidade ducacional", acrescentou.
Segundo o porta-voz vaticano, "surpreende que uma corte europeia intervenha de um modo tão profundo em uma matéria fundamentalmente ligada à identidade histórica, cultural e espiritual do povo italiano".
A decisão judicial foi tomada em resposta à reivindicação da italiana Soile Lautsi, que pediu ao colégio de seus filhos para que retirasse o crucifixo das salas de aula por se opor ao princípio de laicismo no qual queria educá-los.
O caso passou pelo Tribunal Constitucional italiano - que disse não ter jurisdição sobre o assunto -, por um tribunal administrativo do país e inclusive pelo Conselho de Estado da Itália, que rejeitou a reivindicação, o que fez com que a questão chegasse a Estrasburgo. A decisão da corte europeia também conta.
EFE
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