Portas fechadas para Deus
EUA, Inglaterra e Canadá criam colônias de férias onde crianças e adolescentes são orientados a não ter religião
Londres - Todo mundo já ouviu falar ou até participou de retiros religiosos em que grupos de crianças ou adolescentes saem da cidade para refletir e compartilhar experiências religiosas. Mas para onde pais que não acreditam em Deus mandam seus filhos? Na Inglaterra, nos EUA, e no Canadá, esse lugar já existe: o ‘Camp Quest’.

Acampamentos surgiram nos Estados Unidos, mas outros já foram abertos na Europa e no Canadá
A ideia nasceu nos EUA e atende, segundo seus adeptos, “crianças irreligiosas e filhos de pais com ausência de crença em Deus”. Este ano, os campos ganharam ainda mais atenção depois de chegarem à Inglaterra, onde receberam o apoio de um dos mais radicais pensadores ateus, o biólogo britânico Richard Dawkings.
As crianças participam de atividades típicas de ‘acampamentos de verão’ — expressão usada para definir colônias de férias no exterior —, muitas vezes promovidas por grupos religiosos. Entre elas estão cabo de guerra, canoagem, tirolesa e outras atividades físicas. Os jovens de até 17 anos que participam do ‘Camp Quest’, entretanto, são encorajados a discutir filosofia e a participarem de desafios que, segundo os organizadores, desenvolvem o pensamento científico.
Numa das atividades, as crianças e adolescentes têm que provar que dois unicórnios que habitariam o local onde é realizado o evento existem. O objetivo é mostrar como é difícil provar que algo — como Deus — existe.
Depois de 23 edições do Camp Quest americano, ninguém conseguiu levar o prêmio, uma nota rara de 10 libras, com um desenho de Charles Darwin, considerado o “pai do evolucionismo”.
A iniciativa causou polêmica com líderes religiosos na Inglaterra e recebeu críticas de alguns jornais, que chegaram a falar em “lavagem cerebral”. Uma das organizadoras, Samantha Klein, entretanto, jura que as crianças só são encorajadas a pensar por si próprias.
Advogado teve a ideia
Os ‘Camp Quest’ foram ideia do advogado americano Edwin Kagin, 68 anos, e de sua mulher, Helen. Ele disse que decidiu começar a iniciativa depois que uma criança foi proibida de entrar num acampamento de escoteiros por ser ateia.
Pelo menos 50 mil crianças participam de acampamentos cristãos todo ano, segundo a Christian Camping International.
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